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sexta-feira, junho 20, 2008

O nosso último Concerto

O soalho de madeira polida que cobria o palco fez-me recordar o início. Era o mesmo tom da madeira dos bancos do barco “Pinhal Novo”, local onde conhecemos o Crazy Charm.
Mais de mil e quinhentas horas cruzando o Tejo, conversando, planeando, sonhando.
“A minha voz é assim uma mistura entre Júlio Iglésias e um martelo pneumático”, disse-nos ele.
Stylish, que na altura já adoptara o estilo invertido, fazendo tudo (incluindo a fala) ao contrário, franziu-lhe a nuca e disse: “Da Fonte da Prata deves ser tu o rouxinol!”.
Era de longe o nosso maior concerto. O armazém do Ti’Bezana tinha sido ampliado. Outrora confinado a quatro paredes e a um telhado em fibrocimento, um acidente com o tractor e o vento forte do último Inverno conferiam agora como limites do espaço a cerca da linha do comboio e o céu estrelado.
Estava lá gente de toda a região. Alguns movidos pela curiosidade de verem ao vivo a "Maior Banda de Charming Punk Rock do Universo". Outros porque tinham ouvido dizer que os I-Glamour eram um grupo de moçoilas apessoadas que faziam um espectáculo ao estilo cabaret francês. Este segundo grupo mostrou-se de alguma forma desiludido quando viu em palco quatro marmanjos de fato de gala e chapéu de cuco, com buço a mais e peito a menos para serem dançarinas francesas. Com a multidão em fúria e dando seguimento ao meu poder de atracção acabei por levar com uma patanisca de bacalhau no sobrolho.
Era o nosso último Concerto… a nossa última música… as nossas últimas frases enquanto animais de palco…

“De manhã na Tasca
A beber um vinho rasca
E a comer um coirato
Que até me soube a pato….

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh Grandes ideias! Boa noite… fomos os I-Glamour… foge rápido Talk que os gajos estão a arrancar as cadeiras do chão!”

segunda-feira, junho 09, 2008

As Histórias do Bolinha – I

- Os olhos dela são quase pretos… só à luz se nota que são castanhos escuros – Dizia o Bolinha com o sorriso mais parvo do Universo! – E depois a forma dos olhos muda… muda consoante está nervosa ou calma, triste ou alegre…
- A forma?!
- Sim… nunca reparaste?
-…
- Pois… hás-de reparar!
- Está bem, e quando é que falas com ela e lhe dizes isso?
- Isso o quê?!
- Então… o que acabaste de dizer…
- Não sou capaz, não consigo juntar duas palavras seguidas ao pé dela!
O Bolinha era mesmo assim. Um coração enorme escondido dentro duma cápsula de timidez que o impedia de demonstrar o tipo fantástico que era. Excepção feita aos amigos, que tinham a sorte de o conhecer.
- Bolinha… são 13:20. Ela está prestes a passar na marginal. Vá… a gente fica cá em cima a torcer por ti e tu vais lá falar com ela.
- Hã!? Agora?! É pá… isso não pode ficar para amanhã? É que eu hoje tenho que…
- Cala-te e vai! Bora!
Cem íngremes metros separavam o Café Tobias da marginal. Bolinha iniciou a descida pela calçada ainda humedecida pela queda de chuva matinal. Os seus passos eram lentos mas o seu coração disparava a uma velocidade estonteante. Ainda nem a meio ia quando ela surge no seu campo de visão, a cruzar a marginal, junto ao pequeno muro branco que encostava à margem do rio. Bolinha ao vê-la engoliu em seco e estancou o passo.
Se há gajo com ideias rápidas e parvas, esse gajo é o Fred! Ao ver a hesitação do Bolinha correu na sua direcção e enquanto gritava “mexe-me esse cú gordo” deu-lhe um empurrão lançando o pobre rapaz numa descida vertiginosa. Bolinha, incapaz de travar, descambou pela rua abaixo, berrando desesperadamente!
Ela ouviu a algazarra e parou. Ao ver aquela massa de carne anafada aproximar-se a grande velocidade entrou em pânico, no entanto manteve-se imóvel, talvez petrificada pelo susto.
- Desvia-te … desvia-te que eu não tenho travões! – Gritou-lhe o Bolinha.
Nisto ela dá um salto para a frente saindo da trajectória do Bolinha que em grande estilo pula sobre o muro e cai num mergulho de chapa na água, provocando uma onda de proporções inimagináveis.
Duas horas depois estávamos todos sentados no muro a fazer companhia ao Bolinha, esperando que ele secasse para poder entrar no autocarro sem dar nas vistas. Todos menos ela que entretanto tinha ido tratar dos seus afazeres.
- Só a mim… isto só me acontece a mim!
- Calma rapaz, pelo menos ela agora já sabe algumas coisas sobre ti…
- O quê? Que eu não tenho travões? Que eu sou maluco?
- Não pá… que tu não sabes nadar, que tens amigos que te adoram… que a grua dos Bombeiros te consegue elevar…

quinta-feira, maio 29, 2008

Apetite artístico

Eu prezo os artistas. Especialmente os mais genuínos, aqueles que usam boina. Talvez por isso vá aos sítios que eles frequentam para ter a oportunidade de inalar um pouco da sua criatividade e intelectualidade. Tento entrosar-me e aproveito para lançar umas frases previamente elaboradas com a intenção de aos poucos ir entrando no restrito círculo de intelectuais e artistas da região.
No último sábado, numa dessas incursões, fui ao Bar “Cachopa Arrebita!”. Brotava do interior do estabelecimento uma áurea de intelectualidade rochosa que quase me levou ao deslumbramento.
Era uma noite especial. Um tal de Ermelindo Sarrafas recitava uns textos do alto dum palanque instalado no lado oposto ao bar. Acompanhava-o outro indivíduo vestido num estilo “espantalho em campos de trigo” que retirava sons de percussão dum tijolo com um martelo. Do pequeno livro de nome “Bolinhos da Avozinha” o orador, com aquela garra dos declamadores, gritava frases duma beleza feroz como “junta-lhe duzentas e cinquenta gramas de margarina” ou “polvilhar com canela a teu gosto”. Sempre com o rufar do martelo a dar o mote.
O bar estava cheio. O olhar daquela gente brilhava como as estrelas, perdidos em sonhos de contos de fadas… deliciados.
Eu, enleado naquele ambiente, não conseguia entender a profundidade do momento. Sentia apenas uma coisa: uma irresistível vontade de comer um bolinho da Avozinha. Esperei o fim da actuação e dirigi-me ao artista declamador e perguntei:
- Boa noite. E então esses tais bolos de canela são mesmo bons? E são fáceis de fazer? Aconselha-os com um cafezinho ou com chá?
Não obtive resposta. O olhar de reprovação do sujeito trespassou-me como um gume de aço afiado. Virou-me as costas a abanar a cabeça. Fiquei irritado e não resisti a lançar uma farpa em voz alta antes de sair:
- Está bem oh guloso, fica com os bolinhos só para ti! Espero que te engasgues!

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Novo Vocalista (temporário) dos I-Glamour

Desde que o nosso vocalista, Crazy Charm, decidiu experimentar whisky de Alverca, noite sim noite também, que a sua voz se degradou. Nunca mais se ouviu aquela espécie de cana rachada, acompanhada de tosse nos graves e praticamente inexistente nos agudos. Hoje quase parece um cantor à séria, daqueles que cantam nos karaokes e dedicam músicas do Toni Carreira à namorada!
Os nossos fãs não querem isso. Os nossos fãs exigem aquele chiar de travões, aquele som a lembrar uma lima a alisar uma superfície metálica rugosa. Mas como agora não é possível e enquanto o nosso vocalista recupera a voz à custa de Calgon para máquinas de lavar roupa e vinho tinto carrascão resta-nos prosseguir a tour com outro vocalista.
O primeiro nome que nos surgiu foi o de Jaques, o papagaio do Zeca. Já tinha feito uns ensaios connosco e conhecia as músicas mas o seu manager, o próprio Zeca, exigiu mundos e fundos… “Poleiro novo, 2 quilos de sementes de girassol e 5 litros de Sumol laranja por dia”. Era demais… especialmente para um elemento que nem era muito simpático para o resto da banda, o Seducer que o diga que ia ficando sem o dedo quando certo dia lhe tentou fazer uma festinha.
De seguida tentámos um casting. O gajo mais estranho que nos apareceu dizia que era vocalista numa banda de “covers” e que tinha tido aulas de música. Quer dizer, para que é que um gajo que canta afinado e sabe tocar um instrumento a olhar para uma pauta interessa a uma banda como os I-Glamour?! Desconfiado perguntei-lhe: “Olha lá pá, consegues comer um coirato em apenas 4 segundos?” Ele respondeu: “Acho que nunca provei disso!”. O Seducer tratou logo de lhe indicar o caminho mais curto para fora da garagem.
Já em desespero entra-nos garagem a dentro um peru albino de ar altivo. Trazia uma sacola à tiracolo com uns escritos estranhos que alguns de nós identificámos mas que para manter a nossa identidade secreta não revelámos.
“Olha um peru albino?” perguntou o Seducer!
“Albino o catano, ok?!” Respondeu o peru em português com pronúncia de Beja.
“Fonix… o bicho fala!” Devolveu o Seducer!
“Claro que falo pá, eu sou o famoso Peru das Neves e venho da terra dos Guerreiros Niitsumy, venho para cantar o punk rock com vocemessês”
Após dois ensaios vimos que era o que precisávamos. Óptima atitude, loucura quanto baste e gosto pela vida de taberna… enfim, desde que não hajam caçadores ou defensores dos direitos dos perus na audiência acho que o futuro próximo da banda está garantido.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Estilo, bolotas e porcos

Se és um jovem imberbe, inseguro, tímido e que acha que antes de abrir o primeiro Macdonald´s em Portugal “jantar fora com o pessoal” era sinónimo de “comer na casa do amigo que tiver a varanda maior”, este texto é para ti! Aproveita que é à borla!
Deixa-me que te diga uma ou duas coisas sobre estilo e a forma como por vezes é confundido com outras qualidades humanas como o “brutamontismo”, a capacidade de caminhar de forma (mais ou menos) erecta mas como se as virilhas estivessem assadas ou então a coragem daqueles que andam pelas ruas mascarados de espantalhos!
Primeiro: Se há coisa que não dá estilo nenhum é confundir uma bolota com um supositório. É certo que a forma é parecida mas a cor não tem nada a ver. Ao que consta ambos podem ser em teroria introduzidos no ânus, mas como é quase certo que nunca viste uma bolota, não vá o diabo tecê-las e a confundas com um melão, em caso de febre alta fica-te pelos supositórios!
Falando agora pela positiva, perguntas tu “E então o que dá estilo, Mestre Talk?”
Pois… é aí que a porca torce o rabo, ou como diria o Licínio Chispes “é aí que a porca coça o rabo”. Para se ter estilo não basta evitar não o ter. Podes deixar de ser um cromo mas dai a atingires níveis estilísticos aceitáveis vai uma grande distância.
Pronto… já não usas aquelas calças que continuariam a ficar ridículas mesmo que tivesses mais 30 quilos, já consegues falar com aquela moça dos seios fartos sem ser apenas pela Internet e até já sabes que música rock não é bem aquelas coisas actuais que tu ouves carregadas de misturas dos anos 70 e 80, mas ainda assim falta-te aquele pequeno toque, aquele borralho de classe para atingires o objectivo.
E surpresa das surpresas o que te falta é simples. Tão simples que até vais ficar irritado por nunca teres usado essa mais valia que teria evitado todas aquelas “tampas” por SMS que levaste desde o 2º ciclo (sim, porque os teus pais foram mauzinhos e só te compraram um telemóvel quando fizeste 10 anos)!
Em vez dum cão, dum gato ou duma iguana arranja um porco de estimação! Um porco é a solução, a chave do sucesso, o enfeite que te colocará no mundo dos tipos carregados de estilo!
Achas que há rapariga ou mulher (no teu caso apenas rapariga) que resista a um gajo que ande na rua a passear um porco pela trela? Especialmente se o porco se chamar Bóbi e pesar cerca de 100 quilos?
E depois que melhor animal para te ajudar a não confundir bolotas com supositórios?

terça-feira, julho 10, 2007

As 7 Maravilhas

A Titá deu-me mais uma nomeação. Desta vez para as 7 maravilhas da blogosfera. Acho que já não vou a tempo de nomear ninguém, mas não queria deixar de agradecer à Titá o voto e também a mais alguém que se tenha lembrado de nomear este blog e que eu não me tenha apercebido que o tenha feito. Um beijinho para ti Titá e desculpa lá o atraso!



A verdade é que isto das 7 maravilhas pegou moda. Aqui na região não faltou também a nomeação das nossas 7 maravilhas com direito a festa e tudo. O banquete decorreu no ringue de jogos dos Unidos da Recosta, com direito comes e bebes e música. O que mais me agradou foi a actuação do Manhanhas, que levou o público ao arrebatamento. Não fosse a Dona Albertina começar a distribuir as talhadas de melancia e desconfio que o tipo não tinha saído de lá vivo, tal a euforia das jovens, perdidas com a sua voz, com a sua postura, com a sua permanente a fazer lembrar os saudosos anos setenta.
Depois foi a vez de algumas forças vivas da região (será que o Ti’Bezana ainda é uma força viva?) divulgarem as 7 Maravilhas do burgo. A mim coube-me revelar, de forma efusiva, o Depósito da Água da Baixa da Serra como uma das 7 maravilhas!
E as 7 são:

  • Depósito da água da Baixa da Serra;
  • O Castelo de Alhos Vedros, caso existisse;
  • O banco de madeira à porta da Tasca do Azedo;
  • As ruínas em tijolo de 15 na Ilha do Rato;
  • Os seios da Berta;
  • Os pés do Licínio Chispes;
  • As poucas árvores que restam na Fonte das Ratas;

quarta-feira, junho 13, 2007

Histórias do Movimento Associativo I

Toca o telefone no meio da reunião com o Sôr Presidente da Câmara. Tózito da Cadela, apesar de adorar aquela música do Quim Barreiros, não resiste e atende o telemóvel… precisamente no meio do discurso do edil:
- Tou? Quem?! O Quim?! Qual Quim?! O meu irmão?! Ah… então Quim tudo bem? Peço desculpa aos presentes mas é urgente… o meu irmão Quim está outra vez pior das “almerroidas”. É dos enchidos!
Situações destas estão sempre a acontecer, animando o pessoal. Recordo a vez em que Pedrito Bodega, ainda no tempo do outro Presidente, se lembrou de demonstrar como se dançava o Kizomba na intenção clara de convencer a Câmara a soltar verbas para a compra duma aparelhagem da associação recreativa que representava.
No entanto é errado julgar-se que não são aqui discutidos assuntos verdadeiramente sérios. O Simões, um habitue nestas andanças, tem sempre algo de novo a transmitir. Ontem, munido de documentação que fez questão de ler para os presentes (eram cerca de 10 páginas!), descascou de forma feroz em tudo o que mexia. Pelo menos assim pareceu. As poucas palavras que percebi: “Presidente”, “mentira”, “assim não dá”, “manta rota”, “Blitzkreig Bop” e “eu sei que parece pela pronúncia mas eu cá não sou o Shrek”, deram claramente a entender que a coisa estava brava!
No final …tudo fica bem quando acaba bem. Sorrisos, algumas palmadas nas costas e uma imperial na tasca da esquina para o caminho. Apenas um amargo de boca: Este Presidente não aprecia tanto o Kizomba como o anterior.

quarta-feira, maio 09, 2007

Para trás mija a burra e outras coisas!

Todos nós temos por vezes que fazer determinadas coisas para as quais não temos jeito nenhum. Seja porque razão for. Eu tenho várias coisas para as quais não nasci. Mas de todas aquela para a qual menos vocação tenho é mesmo para despedidas. Só conheço dois tipos de pessoas às quais, em determinada fase da vida, tenho que dizer adeus: os que me são indiferentes e os que não são. Para os primeiros a despedida é simplesmente uma fraude, uma encenação, e por algum motivo eu estou aqui a escrever isto e não na TVI a fazer novelas. Não consigo fingir e demonstro na despedida, sem querer, a indiferença que sinto.
Quanto ao segundo tipo de pessoas, melhor do que falar nisso será contar a história da minha despedida de Licínio Chispes.
Quando cheguei ao cais já o Licínio se preparava para zarpar no batelão. Fui na esperança de o apanhar antes dele se fazer à maré-alta e rumar (definitivamente) para Cacilhas. Ao que parece vai se fixar lá como faroleiro, guiando as tainhas para o canal do Seixal. Ele viu-me e já não desamarrou o cabo. Saltou da proa para o murete do cais e veio falar comigo.
- Então Talk, vieste dizer adeus ao velho Licínio?
- Não… vim dizer-te olá!
- Olá?! Então mas eu vou-me embora pá, não vais voltar a pôr-me as vistas em cima…
- Não digas isso Licínio, Cacilhas não é assim tão longe… a gente vê-se…
- Vê-se vê-se, fia-te na correria e não vás ter com a virgem não!
- Licínio… é ao contrário… fia-te na virgem e não corras!
- Tá bem… então é isso. Olha, adeus puto e não te esqueças: para trás mija a burra!
- Ok… não me esqueço. Até logo Licínio!
- Até logo Talk!

sexta-feira, abril 13, 2007

Sessão de autógrafos

Não sei se o meu aparecimento num programa televisivo teve influência. O tema, “A presença do Homem de Cro-Magnon na Sociedade Actual” no canal III do National Geographic talvez tenha vindo exponenciar de vez a minha popularidade.
Não tive mãos a medir para tantos autógrafos. Foi quase uma loucura! É certo que a entrevista que dei para o programa foi realizada, que decorreu numa gruta, decorreu em dialecto “Cro-magnês” e as minhas vestes (tanga à tigre, ténis, cachimbo e moca) eram um pouco diferentes das que uso enquanto estrela do Charming Punk Rock, mas mesmo assim penso que me reconheceram e o facto influenciou a presença de fãs nesta sessão de autógrafos levada a cabo na Taberna do Salpicado no Rosário.
Os outros membros da banda (mais uma vez) não puderam estar presentes. O Stylish continua a penar com as aftas na nuca, o Crazy Charm aderiu de vez à tribo dos zulus e agora diz que é Pai de Santo e que lê o futuro na massa das pizzas, o Seducer continua detido por contrabando de limalhas de ferro… enfim, resto eu para levar a banda para a frente!
A apresentação do novo álbum correu assim de feição, rodeado daqueles que adoram os I-Glamour. As novas músicas transportam-nos para sonoridades mais melodiosas e calmas, para isso contribui e muito a gaita-de-beiços do Charm e em especial o chocalho da Salsicha, a vaca charolesa do Robalo Fernandes. Contamos ainda com a participação do Luís Keita, o Vice-Rei do Kizomba, numa versão da música Apita o Comboio, onde o Pimba se mistura com o Punk Rock e com os sons africanos num melting pot (o que eu gosto desta expressão!) irresistível.
Não se esqueçam de comprar o CD, estará brevemente disponível na Feira da Vinha das Pedras, que decorre todas as quintas-feiras, na banca da Marianita Maia.

quarta-feira, abril 04, 2007

O Burro Desdentado

Diz o sábio povo que um azar nunca vem só. O Ti’Bezana, homem sensato, gosta de acrescentar algo mais a esse provérbio: “Um azar nunca vem só, trás sempre um burro desdentado com ele”.
Sinceramente nunca percebi o que o Ti’Bezana quer dizer com aquilo, também não sei se é bem isso que ele diz. Geralmente quando o oiço proferir ditos populares estamos ambos na sua adega, no Cabeço Verde. Lá a acústica é má e não é fácil falar com a torneira da pipa de vinho nos beiços. Lembro-me da vez que o ouvi dizer: “vai lá fora buscar pão e torresmos meu trambolho, mexe-me essa grande melancia que tens em cima dos ombros a fazer de cabeça!”. Fui, voltei bastante depois sem os torresmos pois não os encontrei. Como tinha passado imenso tempo a pipa já tinha esvaziado e tornara-se mais fácil entender o Ti’Bezana, agora de boca livre, que me disse pasmado:
- Onde foste tu pá?!
- Então fui buscar o pão e os torresmos que o Tio me pediu!
- Estás bonito estás… mas eu não disse nada disso!
- Não?!
- Não, estava só a cantarolar aquela música da Shakira e depois vi-te a dar de frosques… porra também não canto assim tão mal!
- Claro que não Ti, a sua voz é excelente.
- Há bom… e então os torresmos? Porque é que não os trouxeste? Ai essa cabeçorra!