terça-feira, fevereiro 14, 2006

Crónicas do Zé Caxias - Dia de S. Valentim

Para um Pinga-Amor como eu este dia é igual a tantos outros. É um pouco como o Natal para os viciados em compras, ou o São Martinho para o pessoal lá da Tasca, ou então o 1 de Abril para caçadores, pescadores, políticos, vendedores, advogados...
Não há ritual que pratique neste dia que não o faça noutro qualquer dia do ano, desde que a inspiração ajude, que a espandilose não prejudique e que não seja a farmácia do meu cunhado Luís a estar de serviço, pois há segredos sobre a virilidade dum homem que devem ficar guardados algures no interior da sua mente e preferencialmente no bolso do casaco quando a ocasião se propicia.
É por essa razão que hoje vou sair com a Manuela. Não por ser São Valentim, mas porque está um dia lindo, cheio de Sol e porque a procura incessante pelo puro romance faz parte do meu intimo. Também porque a Manuela, apesar do buço, dos quilinhos a mais e do estranho ressonar, é uma mulher interessante, madura, liberta dos tabus provocados pela severa educação que teve, bem treinada nas artes do Amor e da Sedução.
Já sinto o meu coração a pular de emoção, esfomeado que está do aconchego que receberá mais tarde. O resto do corpo permanece calmo. Excessivamente calmo. Mas isso também não é problema. Hoje a escala das farmácias de serviço foi generosa!
Bom São Valentim para todos.

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

As fotos de Rocky Beiços

Já aqui falei certo dia de Rocky Beiços, pugilista Yeti, que se tornou um ícone do pugilismo regional.
É bom esclarecer os leitores que Beiços, para esconder a sua verdadeira natureza, durante a sua curta carreira decidiu rapar o pêlo, passando por humano, causando na altura grande celeuma sobre as suas origens. Foram lançados vários boatos, havia quem jurasse a pés juntos que ele era um albino proveniente das Selvas do Congo, ou então que seria um gigante ex-mineiro proveniente duma qualquer república da ex-URSS.
Pois bem, Beiços voltou à ordem do dia. Fotografias do pugilista, publicadas por um jornal escolar de Aveiras de Cima, o “Pintainho”, vieram causar grande transtorno na comunidade yetiana, em especial na pequena fracção de Yetis que vivem entre nós.
Ao que consta é expressamente proibida a representação fotográfica de Yetis tosquiados, sendo considerado uma enorme ofensa para estes hominídeos.
Um pouco por toda a parte onde vivem estes gigantes de pêlo branco temos tido manifestações, onde bandeiras da escola do 1º ciclo nº 77 de Aveiras de Cima são enroladas à cintura ou embebidas em mel e depois deixadas ao vento, sujeitas às mais terríveis intempéries como chuvas, neve, ou tempestades de areia, tudo em sinal de protesto.
Caso alguém ligado ao Governo português ou então algum membro da Associação de Encarregados de Educação da escola não peça desculpas publicamente, ao mesmo tempo que depila as sobrancelhas com cera, a comunidade de Yetis admite tomar medidas mais drásticas tais como: embargar a importação de chupas e de algodão doce e não permitir que membros a sua comunidade continuem a trabalhar secretamente na função pública portuguesa.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Beta & Inna

Beta é mulher de “Facadas” Canhoto. Após 35 anos a “alternar” e a dançar no Bar Sedução, decidiu “arrumar as chuteiras”, que é como quem diz guardar as “melancias” no soutien. A vida de mulher casada já não se coadunava com aquele tipo de vida.
Inna Shoshanova conheceu Beta no seu anterior emprego. Veio directamente da Moldávia para fugir ao frio e também ao marido, que insistia em querer fazer dela campeã olímpica de lançamento do peso. Chegada a Portugal encontrou refugio no Bar. Os parcos conhecimentos de português afastaram-na do alterne, a barba espessa e os bicípites de 50 cm afastaram-na da passerelle. Acabou por ficar como segurança, sendo despedida dois meses depois por excesso de violência para com os clientes.
Estas duas grandes mulheres (grandeza humana e especialmente física) decidiram dar um novo rumo à sua vida. Montaram um Sociedade de Apostas que denominaram por Beta & Inna.
De momento as apostas podem recair sobre a Liga de Futebol Amador dos Arredores da Ilha do Rato (denominada agora Liga Beta & Inna) e sobre os inter-sociedades em chinquilho olímpico As apostas desta semana já estão disponíveis e afixadas nos locais do costume: Barbearia do Francês, Tasca do Azedo e nas embalagens dos Talhos Torre do Lombo.

sábado, fevereiro 04, 2006

Glamour em Corrente

O Francis, senhor dum estilo único, capaz de transformar em fogueira ardente o mais gélido coração feminino, tomou a sábia e corajosa decisão de me ligar a uma Corrente.
Tenho então que enumerar 5 hábitos pessoais únicos da minha pessoa. Confesso que pedi ajuda à minha Anuska. Não resultou. É que eram apenas 5 hábitos ou manias (e não 50!!!) e convinha que alguns deles fossem abonatórios e também que não fossem… como hei-de dizer… do foro mais intimo.
Então, após profunda reflexão temos:
  1. Gosto de nabos crus. De batata doce crua também;
  2. Nunca chego atrasado (quando dependo apenas de mim para isso);
  3. Mexo o açúcar no café de forma estranha (nunca percebi como… é o que todos dizem);
  4. Reproduzo canções conhecidas, em jantares, recorrendo apenas a duas colheres de sopa (um verdadeiro artista!!!);
  5. Faço a barba com um pincel que pertenceu ao meu bisavô (há quem já não veja naquele objecto um pincel);

Agora vou passar isto a mais cinco clientes, que ficarão ligados a esta Corrente de Glamour Blogosférico:

  • Suga-mentes – Para além de fã dos I-Glamour que outras excentricidades terá?
  • Copa-rota – Ser tripeiro e do Sporting é a sua única coisa estranha?
  • Orfeu – Que hábitos tem este mestre da sensibilidade e do romantismo?
  • Binoc – Que homem se esconde por detrás do Grande Guru?
  • Tita – Será que esta grande senhora nos irá surpreender com alguma revelação bombástica?

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Entrevista com Mister “Facadas”

Depois de mais uma humilhante derrota do Fonte Pratense Futebol Clube para a Taça Confraternização e Amizade, desta feita frente aos Taxistas de Alhos Vedros, chegámos à conversa com o técnico da equipa, “Facadas” Canhoto.

Talk Talk – Então Mister, o que correu mal desta vez?
“Facadas” – O que correu mal?! Então não viste pá… o árbitro ou era ceguinho ou estava a dormir.
Talk Talk – Mas isso explica os 11 golos sofridos? Foi tudo culpa do árbitro?
“Facadas” – Não. Também houve alguma descompressão táctica da nossa parte. Repara no seguinte: O Zé Pipas era para jogar a líbero, mas a descair para o lado esquerdo por forma a compensar a bezana do nosso defesa direito. Mas não. Em vez disso dedicou mais de metade do tempo de jogo a aliviar as tripas da feijoada do almoço.... Mas nem tudo foi negativo. O Shaka fez uma excelente segunda parte. Foi pena ter que sair aos 55 minutos para apanhar o último autocarro para o Vale da Amoreira. Aquele sprint final, quando viu o autocarro chegar e desatou a correr, só não deu golo porque a paragem ficava na direcção da nossa baliza.
Talk Talk – E agora o jogo para a Liga Beta & Inna, como vai ser frente aos Unidos da Recosta?
“Facadas” – É uma equipa que eu respeito imenso. A goleada com que nos brindou na 1ª volta é um sinal de que devemos ficar atentos. Mas agora é em nossa casa e cá mandamos nós. Temos que ser mais criativos com a bola, acarinhá-la, tratá-la como a uma bela mulher. Para a táctica estou a pensar num 3-4-1 em ataque descontinuado, com o Azenhas a marcar directamente o árbitro e o Shaka a jogar nas duas linhas laterais, seguindo os movimentos dos fiscais de linha, garantindo que os nossos apanha-bolas possam fazer aquilo que melhor sabem: mandar isqueiros, moedas e cascas de tremoço para cima do guarda-redes adversário.

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Pedagogias

Quando o Engenheiro Silva acabou de escrever no quadro, julgou sentir a energia de todos aqueles alunos, ávidos de conhecimento, com vontade de sugarem toda a sua experiência adquirida ao longo dos anos no interior de laboratórios cavernosos ou em livros de biblioteca com cheiro a mofo.
Começou a ter algumas dúvidas a esse respeito ao reparar na janela aberta (talvez fosse disso o arrepio que sentiu na espinha) e quando ao olhá-los de soslaio, notou as suas expressões amorfas e os seus olhares inexpressivos.
Haviam no entanto dois alunos que lhe causavam maior curiosidade. Dois tipos altos, que olhavam para aquele quadro como se estivessem a ver uma Nave Espacial de Invasores Extraterrestres prestes a aterrar na Terra. Abeirou-se dos jovens e disse:
- Já dou aulas à vinte e tal anos. Vejam que até nos Estados Unidos eu dei aulas. E nunca senti o que estou a sentir agora a olhar para vocês dois…
- E o que é Professor? – Perguntou curioso um dos alunos.
- É uma incapacidade total para interpretar no vosso olhar se vocês estão a perceber isto que eu estou a dizer ou não.
Os dois alunos sorriram. Talvez o primeiro sorriso na sua frente em três anos e quatro disciplinas depois. O professor viu-lhes os dentes pela primeira vez. Sentiu-se motivado pelo sucedido e contou uma anedota. Ninguém riu, poucos sorriram mas todos a compreenderam.
Pela primeira vez o Professor vislumbrou no olhar daqueles dois enigmáticos alunos uma expressão diferente e disse:
- Então meus senhores… não me digam que não perceberam a anedota?