quinta-feira, janeiro 12, 2006

Balanço do Patanisca Tour

Terminou mais um “On the Road” da nossa emblemática banda. Desta feita trata-se da digressão mundial Patanisca Tour. Após meses a fio ao longo das estradas da nossa amada região, chegou a hora de se fazer o balanço geral. Em números redondos temos:
  • Mais de 35 espectadores;
  • Cerca de 100 concertos;
  • Mais de 700 quilos de coirato distribuídos à população;
  • 21 queixas por excesso de ruído;
  • 14 tentativas de agressão do público a membros da banda;
  • Incontáveis toneladas de cascas de tremoço, laranjas, isqueiros, papeis molhados, apanhados do palco, ou seja, de cima do atrelado do tractor.

Deixo-vos agora com uma das mais simbólicas músicas da banda, não sem antes vos alertar para o facto de neste dia a voz do Crazy Charm estar… digamos… enfim… É o que faz comer azeitonas regadas em Sonasol.






Out of Charme

De manhã na Tasca
A beber um vinho rasca
E a comer um coirato
C´até me soube a pato

Apanhei um bezana
E comi à fartazana
Comi até rebentar
Gases tive que soltar

O cheiro era tal que estoirou o alarme
A malta protestou, eu estou Out of Charme

Malta tenham calma
O cheiro purifica a alma
Podia ter sido pior
Se fosse o Talk o infractor

O cheiro era tal que estoirou o alarme
A malta protestou, eu estou Out of Charme

Na Tasca do Azedo
Tens um cu que mete medo
Mas que cu debochado
Vai-te cagar pra outro lado

Eu quero sair daqui
Quero o charme que perdi
Ao glamour eu vou voltar
Não me vou mais peidar


O cheiro era tal que estoirou o alarme
A malta protestou, eu estou Out of Charme

terça-feira, janeiro 10, 2006

Canto Insano

Foto de Diego Canhas

Foi quase cruel dar com ele de joelhos, com uma garrafa de whisky de Alverca seu lado, a gritar como um desalmado palavras imperceptíveis.
Fixei-o com o olhar. Ele mal deposita os seus olhos em mim desfalece e o seu corpo cai sobre a frieza do asfalto. Então fiz o que qualquer amigo faria numa ocasião daquelas: coloquei-o em pé e comecei a tentar reanimá-lo.
Abanei-o ligeiramente enquanto chamava pelo seu nome. Nada. Depois de forma mais frenética. Bingo. Abriu os olhos e recomeçou com a chinfrineira.
Mas os seus gritos eram tais que o larguei de novo. Aquela voz esganiçada que outrora encantara multidões, mais parecia agora uma broca de dentista a massacrar-me os ouvidos. Mal os seus pés tocaram no chão atirou-se em moch para cima dumas caixas de papelão.
Estendi-lhe a mão para o ajudar a levantar-se. Recusou a ajuda e exclamou que eu tentara assassiná-lo, ouvira a minha voz na sua mente. Essa doeu. Magoado com toda esta situação disse-lhe:
“É o álcool a falar, não tu. É o que te safa, senão íamos ter chatices. Que te deu para beberes essa trampa? Isto até faz mal à mioleira. Ouvi dizer que quem apanha uma carraspana desta mistela pode deixar de ver, de ouvir, até de pensar. As pernas ficam dormentes, rasteja-se durante 3 dias.”
Senti-o mais calmo. Bem mais calmo. Num gesto brando despeja o que resta da garrafa na mão estendida e começa a chorar que nem um desalmado. Ao vê-lo assim acrescentei então:
“Vá amigo… levanta-te. Estende a tua mão para eu te ajudar. Vou levar-te a casa.”
Recusou. Fechou os olhos e adormeceu. O seu ressonar mais parecia um motor de camião. Deixei-o ali a descansar. Tapei o seu corpo com o meu casaco. Parti sem mais demoras. Por hoje tinha terminado o fado vadio. A vizinhança poderá dormir descansada no que resta da noite.

Outro Canto Insano…nas Ruas sem Nome

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Glamour no Olhar – 1º Episódio

Viajámos no tempo até 1980. Quequita Martins, filha do Comendador, dá à luz duas crianças. A gravidez tinha apanhado todos de surpresa e não era consentida pela família. As crianças são separadas à nascença. Uma é entregue a Dona Maria, antiga governanta da casa do pai de Quequita. O outro petiz é levado pelo seu padrinho, Yeti Du Frak e por seu tio, Quim “Bolinhas” e é criado na Mata da Machada em contacto permanente com a natureza.

O pai dos petizes permanece incógnito até aos nossos dias. Quequita chamais revelou qual dos seus quatro namorados da época a engravidou, ela própria tem algumas dúvidas, pois se por um lado a matemática nunca foi o seu forte, por outro não foi 100% fiel aos quatro.

Rodú é agora um rapaz com 25 anos. Viveu feliz durante todo este tempo na floresta entre o rio Coina e a via rápida, afastado da civilização. O contacto com o mundo exterior é dado pelos relatos de seu tio e por Du Frak. O seu sonho é ir até ao grande rio ao norte e vislumbrar a grande cidade.

Quim “Bolinhas” Martins é tio avô de Rodú, sendo meio-irmão do Comendador. Sonhava em ser travesti, mas o aspecto grosseiro e a voz à Tom Waits, tornaram o sonho em pesadelo. Vive feliz com Rodú na Mata da Machada. Aos Domingos de manhã, deixa o sobrinho na lavoura e parte para a Feira com a sua melhor roupa, um vestido creme com flores lilases. As bolas de ténis, presas a um cordel enrolado no pescoço, que ele coloca no peito debaixo das roupas, deram-lhe a alcunha de “Bolinhas”.

Du Frak é um Yeti, que por amizade para com Quequita, acedeu a ser Padrinho de Rodú. Trabalha para os guerreiros Niitsumy. A sua função é viajar pelo mundo cobrando as cotas de associado dos guerreiros. Veste chapéu de cartola, sapatinho preto e fraque. Anda sempre com uma bandeja na mão. É conhecido no meio por Cobrador Du Frak.

Mata da Machada, ano de 2005. Apenas se ouvem os grilos, as cigarras e as descargas das fábricas do Barreiro lá ao longe. “Bolinhas” e Rodú sentam-se à mesa para jantar na sua humilde cabana. Batem à porta de forma brusca. Rodú vai abrir a porta e ao fazê-lo revela um olhar de grande admiração…

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Blognovela – Glamour no Olhar

Não há canal televisivo que não sobreviva à guerra de audiências sem, entre outras coisas, as novelas. Fazendo a extrapolação para a Blogosfera, e com o anseio de aumentar as audiências do Blog I-Glamour é grande, tomei a decisão de criar neste espaço uma novela.
E como qualquer novela que se preze terá os seguintes ingredientes:

  • Gajas giras más como cobras;
  • Gajas giras boazinhas e sofridas;
  • Enredos familiares compreensíveis apenas com uma árvore genealógica desenhada num papel;
  • Título que nada tem a ver com o enredo;
  • Momentos escaldantes;
  • Fim prolongado até à exaustão com o intuito de combater eficazmente o inicio da novela no Blog concorrente;

Claro que muitos de vós se questionarão agora: “Então mas que raios… o Talk, um charming punk rocker, anda a ver novelas? Só assim é que ele seria capaz de escrever uma, certo?”.
Calma amigos!!! Eu não ando a ver novelas, apenas comecei a estudá-las com o intuito de adquirir traquejo para a tarefa a que me proponho. Vejo-as apenas num sentido meramente profissional.
Não percam o primeiro episódio de “Glamour no Olhar” num Blog aqui bem perto.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

As Crónicas do Zé Caxias – Bom Ano para todos

Pois é amigos… o Novo Ano bateu à porta e entrou. Mas a questão que coloquei a mim mesmo, enquanto estava na casa de banho a “despachar papelada”, é pois duma importância extrema, digna de ser pensada pelas mais altas patentes académicas. Mas afinal porque é que se comemora o fim do ano velho e a entrada do novo?
À medida que o “despacho” ia sendo feito e enquanto palitava os dentes fixos que me restam, com uma navalha que me emprestou o Chico Barbeiro, cheguei à seguinte conclusão: Não faço a mínima ideia porque raio se comemora o fim do ano.
Mas isso também não é importante. O que importa mesmo é festejar.
Foi com essa intenção que juntámos um grupo de amigos no Armazém do Ti’Bezana. Faltavam 5 minutos para as 4 da tarde de dia 31 e já a ambulância dos Bombeiros Voluntários da Baixa da Banheira, estacionava à porta do Armazém para a sua segunda viagem até ao Hospital do Barreiro: Zé Cotão não resistiu à mistura de vinho com filhós. Uísqu’em Pé , sem a pedalada de outros tempos e com rotina noutras especialidades, tombou à terceira garrafa de água ardente.
Eu resisti até ao fim da noite, mantendo a dignidade da posição que ocupo como pretendente ao trono da Ilha do Rato, comendo e bebendo em fartura, dançando o KuDuro, fazendo a minha divertida imitação dos Cabeçones e cortejando as moças solitárias que por ali se encontravam.
Acabei por ser surpreendido pela quietude e pose principesca duma dessas moças. Não foi difícil convence-la a descer a escadaria metálica até à Adega. Experimentei sensações novas. Ela também. Creio mesmo que a levei ao arrebatamento. Mas no final algo de trágico e surpreendente aconteceu. Ti’Bezana, sentido a boca seca por estar à 10 minutos sem o gosto carrascão do vinho tinto, deslocou-se ao local onde, em puro deleite, eu e a moça nos encontrava-mos. Em fúria, fixando o olhar tenebroso em nós, exclamou:
- Caxias como foste capaz!!! A traíres-me com a minha boneca insuflável!
Fiquei sem reacção. Ela ainda tentou justificar-se mas eu não sabia o que dizer.
Um bom ano para todos.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Nos Primórdios da Intelectualidade

Darwin veio revolucionar o mundo com a ideia da Evolução. Mas estava longe de suspeitar o que aqui é revelado.
No Paleolítico superior, vagueando marialva, uma subespécie hominídea ditou leis. Era o Cro-Magnon Intelectus. Várias coisas o distinguiam do Cro-Magnon tradicional: era laico, possuía Abstractos Rupestres (quase sempre javalis em formas geométricas), vivia em espaçosas águas furtadas nas grutas mais in do clã e fumava tabaco importado em ossadas de Dinossauro preparadas para o efeito. Era também um incompreendido. Tantas vezes posto de lado pelos outros Cro-Magnon só porque não gostava do desporto rei da época, o conhecido Esmaga Crânio, onde multidões em euforia vibravam com as perseguições de moca que os atletas faziam a galinhas, perus e avestruzes.
O desporto de eleição desta raça pré-humana era o pedra-mind, uma ancestral forma de xadrez, em que o raciocínio e a estratégia eram essenciais. Peças de pedra, em forma de menires minúsculos, eram colocadas sobre uma espécie de mesa. Dois oponentes, cada qual com a sua moca, iam partindo minuciosamente as peças uma a uma, até que no final o oponente mais desenvolto decretava o xeque-mate e desferia um golpe na tola do outro oponente.
Acredita-se que esta subespécie possa ter sobrevivido até aos nossos dias, integrando-se nas populações humanas actuais passando quase despercebido. Quase. Não totalmente porque, para além das pernas arqueadas, dos ombros largos e de andar descalço pelas ruas, teima em ver a RTP2 em desfavor da TVI.