segunda-feira, outubro 31, 2005

Star Wars of Charm – Episódio IV

Há pouco… pouquíssimo tempo até, numa galáxia aqui bem perto….


Episódio IV - Uma Nova Esperança?!
O Império domina a Galáxia. No pequeno planeta
Glamour, as forças Rebeldes, chefiadas pelo Capitão
Solo, procuram solução para destronar o maléfico
poder da Imperatriz. Pretende-se descobrir o último
dos Moonwalkers, aquele de que fala a Profecia




A reunião era para ser secreta. Por isso é que os rebeldes decidiram encontrar-se numa casa de banho pública. Simulou-se uma lesão no Crazy Chewbacca, o gigante de pêlo branco, transportou-se a criatura para um cubículo livre, sentando-o numa sanita e iniciou-se a reunião. O espaço era minúsculo, muitos tiveram que se empoleirar nas paredes laterais para visionar o briefing dado por Style Solo. Enquanto Solo falava, alguém massajava o pé esquerdo do Yeti das Estrelas. A cena parecia credível como disfarce.
As notícias que provinham através de palavras sussurradas pelo vento (ou isso ou bufos comprados com cromos dos Pokeamon) indicavam que existia de facto um sobrevivente do clã Moonwalker, um Caminhante do Estilo, escondido algures na Galáxia.
A Profecia era clara nessa questão. Um Caminhante do Estilo, de nome Moonwalker, iria certo dia, durante um qualquer jantar na presença da Imperatriz, executar a famosa dança moonwalking, inventada pelo Guru do Charme, Michael Jet Sun. Esse acto iria, de acordo com a Profecia, destruir o lado Negro do Charme e salvar a Galáxia das terríveis garras da Imperatriz Matrona.
O briefing foi rápido e incisivo. Ficou decidido que Solo e Chewbacca iriam ao Planeta das Iscas na demanda dum velho amigo, Ubi Wan Talk, o último a usar as insígnias dos Caminhantes. Acreditava-se que este saberia do paradeiro do “Desejado”.
Ubi Wan comia a sua sopa da pedra, acompanhada por pão alentejano quando subitamente ouve o tocar da campainha. “Quem será a uma hora destas?”. Ao abrir a porta, a sua pergunta obtém resposta.
- O quê!? Não posso acreditar nisto! Vocês devem ser almas penadas ou assim…
- Nada disso Ubi. – Respondeu-lhe Solo. – Não estás contente por nos ver?
- Então agora são rebeldes hã? Sim senhor… vejo que o arrependimento não mata. Que querem de mim? – Perguntou Ubi Wan.
- Queremos que nos digas onde está o último dos Moonwalker – Respondeu-lhe Solo.
- A velha profecia? Eu também acredito no coelhinho da Páscoa e no Pai Natal… – ironizou Ubi Wan.
- Vá lá, não podemos perder tempo. – Interrompeu Solo. - Sei que detestas a Matrona… sabes onde ele está?
Ubi nunca acreditou na profecia, mas ao mesmo tempo viu ali a única esperança de derrubar a Imperatriz e restituir a Galáxia ao verdadeiro Charme. Então disse:
- Venham comigo. Temo que fiquem desiludidos.
Encaminhando os “convidados” por um corredor, abre a última porta à sua esquerda. No seu interior encontrava-se um jovem. O rapaz dançava, de forma particularmente ridícula, ao som duma música da Britney Space Tears. Os dois rebeldes ficam de olhar esbugalhado e é então que Solo pergunta:
- Quem é este calhau com dois olhos?!
- Eu sou o Sparks. – Responde-lhe o moçoilo com ar feliz – Sou o Moonwalker Sparks.

sábado, outubro 29, 2005

Star Wars of Charm – Let’s look at the trailer ….

A Aventura que não esperava…
“Há pouco… pouquíssimo tempo até, numa galáxia aqui bem perto….”


O escritor é o snifador de cascas de tremoço do costume…
“Enquanto Solo falava, alguém massajava o pé esquerdo do Yeti das Estrelas”


Com os “actores” da Última Bala…
“…um sobrevivente do clã Moonwalker, um Caminhantes do Estilo, escondido algures na Galáxia…
- Quem é este calhau com dois olhos?!
- Eu sou o Sparks. – Responde-lhe o moçoilo com ar feliz – Sou o Moonwalker Sparks.”

Brevemente num Blog perto de si…

sexta-feira, outubro 28, 2005

O Padrinho – Capítulo 5

Dom Caxias era um homem satisfeito. A confiança no seu campeão para bater Martelini era imensa. Especialmente agora. Sim… porque Dom Caxias não se deixa levar por nomes, dicas ou “diz que disse”. Quis testar a nova aquisição e preparou-nos uma surpresa. Mandou instalar o equipamento na arrecadação da tasca do Azedini: computador, monitor, 4 volantes. Fez-se uma corrida. Angelo Stylish simulou uma lesão para não entrar em confronto, Crazy “Olives” recusou-se a jogar. Joguei eu, o Benedito, o Santini e o campeão. Inicialmente as coisas até estavam a correr-me bem. Julguei ir em primeiro. Só depois reparei que o meu carro era o amarelo, o que vinha em marcha-atrás na direcção contrária à da corrida. Estive durante 10 minutos a olhar para o carro do Santini a pensar que era eu que o estava a guiar. O campeão ganhou com 3 voltas de avanço sobre o Santini, 4 sobre o Benedito e a mim… digamos que me ganhou por 13 voltas de avanço num circuito de 10!!
Após a constatação da perícia foi altura das apresentações formais. Jo Cesarini de seu nome, trabalhava por conta própria fazendo de tudo um pouco: Fornecedor de material informático pirata e de resumos de aulas escolares, alentejano de fim-de-semana, criador de frases mordazes.
Era altura do grande desafio. Cesarini versus Martelini. Este último utilizou um truque de última hora que nos deixou preocupados. O jogo que trouxe e que seria o utilizado no confronto não era o mesmo que tinha servido de treino a Cesarini. Este não se mostrou preocupado:
- Ok…tudo bem. Então como é que são os comandos?
Doze minutos depois as 34 horas de treino neste jogo tinham-se demonstrado estupidamente desaproveitadas por Martelini. A derrota foi avassaladora.
A Organização estendeu os seus tentáculos até ao negócio das unhas de Yeti, ao mesmo tempo que cresceu em efectivo de homens.
E é assim que funciona o tráfego de influências. Dom Caxias vai reformar-se em breve. Aguardo serenamente que escolha o novo Padrinho. Talvez venha a ser eu, o seu mais antigo colaborante. Talvez ele venha a escolher outro… o Stylish, o “Olives” ou até quem sabe o Martelini. Claro que se alguma coisa de mal acontecer a Dom Caxias, sem que a sua vontade seja anteriormente expressa, serei eu o nomeado. E vocês sabem… acidentes acontecem.
FIM

quarta-feira, outubro 26, 2005

O Padrinho – Capítulo 4

Dom Caxias não queria acreditar quando ouviu a nossa versão (devidamente romanceada por Stylish) dos factos. Um tipo sozinho tinha sido suficiente para cinco profissionais! E não tínhamos ficado assim lá muito bem tratados. No entanto Dom Caxias é homem de muitos recursos. A sua mente, talhada para grandes raciocínios e esquemas mirabolantes, já tinha uma espécie de alternativa para fazer frente a Martelini, o Toiro Dourado.
Martelini era viciado no jogo. Não na roleta russa, no jogo de cartas ou no dominó, mas sim nos jogos de computador de Corridas de Automóveis. Era esse o seu ponto fraco. Claro que primeiro teríamos que convencê-lo a aceitar o desafio, enfrentando o nosso campeão numa aposta em que poria em jogo a sua empresa. Quanto ao nosso campeão e a dificuldade em arranjá-lo seria um passo posterior.
Numa carta selada, com aviso de recepção (sim porque nenhum de nós queria estar de novo na presença do Martelini), foi a nossa proposta assinada à mão por Dom Caxias. A resposta foi célere: um ornamento taurino muito bem desenhado numa folha de papel A4 com palavras que antigamente não constavam dos dicionários.
A nossa contra-resposta foi cruel. A ira tomou conta de Dom Caxias e de certa forma de nós também. Martelini ao acordar, na manhã seguinte à sua resposta, tinha uma surpresa deitada a seu lado. A parte superior do seu Joystick, que tinha sido brutalmente cortada do resto do “corpo”, jazia inerte no seu leito ao lado dum urso de peluche de cor lilás. O pânico apoderou-se de Martelini. Finalmente compreendeu que se estava a meter com pessoas de mente perversa, capazes de tudo para atingir determinados objectivos. Decidiu então aceitar o desafio e pôr a sua empresa nas mãos do seu talento para jogar computador.
Recebemos a notícia com alegria e até com certo orgulho. Íamos agora decidir quem seria o campeão a enfrentar o terror das estradas virtuais.
Eu demarquei-me logo, dando a entender que jogos mais complexos que o Tetris não eram para mim. Crazy "Olives" acha que os jogos não são suficientemente cool, portanto também não era a pessoa indicada. Seducer é mais homem das arcadas e dos matrecos. Sparks não iria aguentar a pressão da competição. Jony sabia que Dom Caxias não admitia qualquer jogo viciado. Stylish era homem dos jogos de futebol, perito em bater recordes de golos em apenas 3 minutos (ao que consta o recorde vai em 20 golos!), corridas não eram com ele. O campeão teria que vir de fora, alguém em quem confiar e que poderia bater Martelini.

segunda-feira, outubro 24, 2005

O Padrinho – Capítulo 3

A minha mania de chegar adiantado aos encontros enervava de sobremaneira o resto do grupo. Ali estávamos nós, numa esplanada dum café de Setúbal, aguardando Martelini, que se não chegasse atrasado, estaria lá dentro de 15 minutos. O encontro tinha sido marcado atempadamente por SMS. As modernices estavam a implantar-se na Organização.
Entre pensamentos mais ou menos profundos os 15 minutos voaram e com o seu fim surgiu no horizonte Martelini, acompanhado de três raparigas loiras com ar escandinavo.
Martelini era um tipo com uns trinta anos, alto, entroncado e curiosamente também com ar escandinavo, loiro e de olhos azuis. Mostrou-se sorridente e apresentou-se a si e às suas amigas: A Guita, a Linda e a outra não me lembro do nome (era a menos engraçada diga-se).
Elas estavam muito…descontraídas. Durante as normais trocas de galhardetes, nos chamados preliminares, onde se falou do tempo, do futebol, da situação difícil do país, Martelini, enervado com a atenção que as suas amigas estavam a dar ao nosso grupo, deixou escapar:
- Bem… elas como vieram da Holanda e lá é só loiros estão admiradas com vocês, por isso é que estão assim tão dadas, é que vocês são todos morenos.
- Não pá – Disse-lhe Crazy Charm enquanto cuspia mais um caroço de azeitona – isto é tudo uma questão de estilo… de charme, digamos.
Tentando interromper o inicio duma discussão filosófica iniciei as hostilidades de forma educada:
- Sr. Martelini, queremos propor-lhe um negócio irrecusável em nome de Dom Caxias. Ele vê como relevante a sua entrada no mundo dos negócios das Unhas de Yeti, propondo o seguinte: Em troca de boa-vontade e protecção, Dom Caxias pretende uma sociedade igualitária consigo e com o Jony, numa fusão entre as vossas duas empresas. Que me diz?
A resposta de Martelini não podia ser mais directa. Já havia algum tempo que não via uma representação em carne e osso do Zé-povinho, essa mítica figura criada pelo grande Bordalo Pinheiro.
Numa mistura de sentimentos entre o saudosismo e a calma forçada repliquei:
- Então Martelini não quer reconsiderar?
- Não – Disse-me de forma seca.
A conversa, por estranho que possa parecer, continuou apesar do clima tenso. As holandesas estavam entusiasmadíssimas e faziam perguntas. Jony ainda não tinha aberto a boca. Por um lado tinha recebido indicações de Dom Caxias para assim permanecer, por outro o seu inglês era fraco demais para manter uma conversa com as raparigas. Uma delas, reparando no seu silêncio questionou-o:
- You are so quiet. You don’t speak english?
Denotando uma dificuldade imensa Jony apenas conseguiu dizer:
- Hum… I… hum… just a little “bitch”.
O erro provocou o descalabro. Eu e a rapaziada não nos conseguimos conter e rimos desalmadamente, as raparigas ficaram sérias sem perceber o que se passava, Martelini ficou enfurecido e desatou a descarregar a ira sobre nós. Sparks foi o primeiro a sofrer caindo como uma árvore abatida no chão, “Olives” “desapareceu” de cena rapidamente, eu “fui” à sua procura, Seducer ainda tentou elevar uma das mesas mas já foi tarde, Stylish simulou uma lesão, utilizando a mesma táctica que usa nas peladinhas de fim-de-semana, Jony ainda foi o único a “molhar a sopa” com um pontapé, mas na resposta caiu sobre Sparks, o que lesionou este último ainda mais.
O tipo era danado para a pancada. Para atingirmos os nossos objectivos teríamos que alterar a táctica.

sexta-feira, outubro 21, 2005

O Padrinho – Capítulo 2

A Tasca do Azedini vinha mesmo a calhar. Andar a cavalo cansa. Um repasto de peixe frito com arroz de tomate, regado a vinho tinto era o elixir de que necessitávamos para o retemperamento das forças. Dom Caxias aguardava-nos lá pacientemente. A nossa chegada e a boa-nova que trazíamos, fê-lo transformar-se por momentos numa espécie de vendedor ambulante cigano, tal a gritaria que lhe saiu das entranhas. Dom Caxias estava no seu escritório particular, uma divisão em pladur, situada no logradouro da Tasca. De seguida ordenou que fossemos comer, queria fumar o seu cachimbo em paz, enquanto meditava sobre os negócios.
- Onde estão as minhas azeitonas? Azedini, onde estão a porra das minhas azeitonas? – Perguntou Crazy “Olives” já em desespero.
- Oh meu… passa mas é para cá a vinhaça. – Ordenou Santini Seducer.
- Eu cá quero é água! – Exclamou Angelo Stylish quase ao mesmo tempo.
Ao ver um Azedini totalmente perdido decidi pôr alguma calma na situação:
- Vá lá pessoal… o homem é só um…
- É só um uma merda!!!!! Eu tenho fome! Eu quero comer. – Gritou Benedito Sparks com o seu esbugalhar de olhos tão característico.
É fácil adivinhar que se iniciou uma discussão. As azeitonas do Crazy, que entretanto tinham chegado, serviram para arremesso. Nisto entrou pela porta principal um indivíduo ainda jovem, de estatura média, de estrutura larga. Vinha vestido à motard, trazendo um capacete na mão. Parou no meio da Tasca e sem olhar para nós exclamou:
- Quero falar com Dom Caxias. Alguém sabe onde o posso encontrar?
Reconheci logo aquela voz. Era o Jony. Um velho amigo que tinha saído em tempos da Organização.
- Olha quem é ele! – Disse eu – Sim senhor… já lá vai muito tempo. Que te traz por cá?
- Olha o Talk! – Disse ele sorrindo abertamente. - Pensava que já não estavas por aqui. Ehhh… e os outros cromos todos também ainda aqui estão!!!
Esta última frase, como se pode calcular, não caiu muito bem. Para evitar males maiores levei-o sem perder mais tempo ao encontro de Dom Caxias.
Dom Caxias ficou surpreendido. Não esperava aquela visita. Sentou-o numa cadeira de madeira gasta pelo tempo, em frente da sua secretária. Nós os cinco sentámo-nos onde podíamos para sabermos o que se passava, a fome tinha passado misteriosamente.
Com algum acanhamento Jony lá foi explicando as razões da sua visita:
- Dom Caxias… venho pedir a sua ajuda. O meu negócio na transacção de Unhas de Yeti não anda nada bem. Entrou no mercado um tal de Martelini. O tipo consegue vender o produto a metade do preço, para além de conseguir amolecer as unhas, o que é considerado uma vantagem em qualquer restaurante chinês. Está a roubar-me a clientela toda. Não sei que fazer…
Dom Caxias iniciou então o seu típico ritual: olhou o tecto fazendo uma estranha careta, bateu com o cachimbo na secretária, colocou tabaco no cachimbo acendendo-o com o isqueiro da bic que lhe ofereci no Natal, deu uma passa e começou a cantarolar um antigo êxito dos Modern Talking numa “língua” que apenas ele compreende. É assim que reflecte. É assim que interioriza as questões, que toma as suas sensatas decisões. Calou-se por um momento, fitou Jony com um ar sério e disse:
- Partiste um dia convencido que não precisavas de mim. Eras o maior. Senhor do teu destino. Passados estes anos todos voltas…. e vens ter comigo a pedir ajuda. Que sei eu do negócio de unhas do Bicho Grande das Neves? Em que te poderei ajudar? Eu que sou um humilde homem… que apenas percebo de iscas, vinho tinto e dominó.
- Por favor Dom Caxias… perdoe-me e ajude-me… – Implorou Jony.
Jony sabia o que tinha a fazer. Teria que prestar a devida vassalagem ao Padrinho no ritual secular. Cantando a famosa música “Dom Caxias é bom companheiro”, teve que o transportar ás cavalitas pelo Bairro das Palmeiras durante hora e meia. Depois disso juntou-se a nós na patuscada. Era de novo um dos nossos. O negócio das unhas de Yeti tornara-se agora um mercado alvo da Organização.