segunda-feira, janeiro 09, 2006

Glamour no Olhar – 1º Episódio

Viajámos no tempo até 1980. Quequita Martins, filha do Comendador, dá à luz duas crianças. A gravidez tinha apanhado todos de surpresa e não era consentida pela família. As crianças são separadas à nascença. Uma é entregue a Dona Maria, antiga governanta da casa do pai de Quequita. O outro petiz é levado pelo seu padrinho, Yeti Du Frak e por seu tio, Quim “Bolinhas” e é criado na Mata da Machada em contacto permanente com a natureza.
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O pai dos petizes permanece incógnito até aos nossos dias. Quequita chamais revelou qual dos seus quatro namorados da época a engravidou, ela própria tem algumas dúvidas, pois se por um lado a matemática nunca foi o seu forte, por outro não foi 100% fiel aos quatro.
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Rodú é agora um rapaz com 25 anos. Viveu feliz durante todo este tempo na floresta entre o rio Coina e a via rápida, afastado da civilização. O contacto com o mundo exterior é dado pelos relatos de seu tio e por Du Frak. O seu sonho é ir até ao grande rio ao norte e vislumbrar a grande cidade.
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Quim “Bolinhas” Martins é tio avô de Rodú, sendo meio-irmão do Comendador. Sonhava em ser travesti, mas o aspecto grosseiro e a voz à Tom Waits, tornaram o sonho em pesadelo. Vive feliz com Rodú na Mata da Machada. Aos Domingos de manhã, deixa o sobrinho na lavoura e parte para a Feira com a sua melhor roupa, um vestido creme com flores lilases. As bolas de ténis, presas a um cordel enrolado no pescoço, que ele coloca no peito debaixo das roupas, deram-lhe a alcunha de “Bolinhas”.
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Du Frak é um Yeti, que por amizade para com Quequita, acedeu a ser Padrinho de Rodú. Trabalha para os guerreiros Niitsumy. A sua função é viajar pelo mundo cobrando as cotas de associado dos guerreiros. Veste chapéu de cartola, sapatinho preto e fraque. Anda sempre com uma bandeja na mão. É conhecido no meio por Cobrador Du Frak.
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Mata da Machada, ano de 2005. Apenas se ouvem os grilos, as cigarras e as descargas das fábricas do Barreiro lá ao longe. “Bolinhas” e Rodú sentam-se à mesa para jantar na sua humilde cabana. Batem à porta de forma brusca. Rodú vai abrir a porta e ao fazê-lo revela um olhar de grande admiração…

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Blognovela – Glamour no Olhar

Não há canal televisivo que não sobreviva à guerra de audiências sem, entre outras coisas, as novelas. Fazendo a extrapolação para a Blogosfera, e com o anseio de aumentar as audiências do Blog I-Glamour é grande, tomei a decisão de criar neste espaço uma novela.
E como qualquer novela que se preze terá os seguintes ingredientes:

  • Gajas giras más como cobras;
  • Gajas giras boazinhas e sofridas;
  • Enredos familiares compreensíveis apenas com uma árvore genealógica desenhada num papel;
  • Título que nada tem a ver com o enredo;
  • Momentos escaldantes;
  • Fim prolongado até à exaustão com o intuito de combater eficazmente o inicio da novela no Blog concorrente;

Claro que muitos de vós se questionarão agora: “Então mas que raios… o Talk, um charming punk rocker, anda a ver novelas? Só assim é que ele seria capaz de escrever uma, certo?”.
Calma amigos!!! Eu não ando a ver novelas, apenas comecei a estudá-las com o intuito de adquirir traquejo para a tarefa a que me proponho. Vejo-as apenas num sentido meramente profissional.
Não percam o primeiro episódio de “Glamour no Olhar” num Blog aqui bem perto.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

As Crónicas do Zé Caxias – Bom Ano para todos

Pois é amigos… o Novo Ano bateu à porta e entrou. Mas a questão que coloquei a mim mesmo, enquanto estava na casa de banho a “despachar papelada”, é pois duma importância extrema, digna de ser pensada pelas mais altas patentes académicas. Mas afinal porque é que se comemora o fim do ano velho e a entrada do novo?
À medida que o “despacho” ia sendo feito e enquanto palitava os dentes fixos que me restam, com uma navalha que me emprestou o Chico Barbeiro, cheguei à seguinte conclusão: Não faço a mínima ideia porque raio se comemora o fim do ano.
Mas isso também não é importante. O que importa mesmo é festejar.
Foi com essa intenção que juntámos um grupo de amigos no Armazém do Ti’Bezana. Faltavam 5 minutos para as 4 da tarde de dia 31 e já a ambulância dos Bombeiros Voluntários da Baixa da Banheira, estacionava à porta do Armazém para a sua segunda viagem até ao Hospital do Barreiro: Zé Cotão não resistiu à mistura de vinho com filhós. Uísqu’em Pé , sem a pedalada de outros tempos e com rotina noutras especialidades, tombou à terceira garrafa de água ardente.
Eu resisti até ao fim da noite, mantendo a dignidade da posição que ocupo como pretendente ao trono da Ilha do Rato, comendo e bebendo em fartura, dançando o KuDuro, fazendo a minha divertida imitação dos Cabeçones e cortejando as moças solitárias que por ali se encontravam.
Acabei por ser surpreendido pela quietude e pose principesca duma dessas moças. Não foi difícil convence-la a descer a escadaria metálica até à Adega. Experimentei sensações novas. Ela também. Creio mesmo que a levei ao arrebatamento. Mas no final algo de trágico e surpreendente aconteceu. Ti’Bezana, sentido a boca seca por estar à 10 minutos sem o gosto carrascão do vinho tinto, deslocou-se ao local onde, em puro deleite, eu e a moça nos encontrava-mos. Em fúria, fixando o olhar tenebroso em nós, exclamou:
- Caxias como foste capaz!!! A traíres-me com a minha boneca insuflável!
Fiquei sem reacção. Ela ainda tentou justificar-se mas eu não sabia o que dizer.
Um bom ano para todos.

segunda-feira, janeiro 02, 2006

Nos Primórdios da Intelectualidade

Darwin veio revolucionar o mundo com a ideia da Evolução. Mas estava longe de suspeitar o que aqui é revelado.
No Paleolítico superior, vagueando marialva, uma subespécie hominídea ditou leis. Era o Cro-Magnon Intelectus. Várias coisas o distinguiam do Cro-Magnon tradicional: era laico, possuía Abstractos Rupestres (quase sempre javalis em formas geométricas), vivia em espaçosas águas furtadas nas grutas mais in do clã e fumava tabaco importado em ossadas de Dinossauro preparadas para o efeito. Era também um incompreendido. Tantas vezes posto de lado pelos outros Cro-Magnon só porque não gostava do desporto rei da época, o conhecido Esmaga Crânio, onde multidões em euforia vibravam com as perseguições de moca que os atletas faziam a galinhas, perus e avestruzes.
O desporto de eleição desta raça pré-humana era o pedra-mind, uma ancestral forma de xadrez, em que o raciocínio e a estratégia eram essenciais. Peças de pedra, em forma de menires minúsculos, eram colocadas sobre uma espécie de mesa. Dois oponentes, cada qual com a sua moca, iam partindo minuciosamente as peças uma a uma, até que no final o oponente mais desenvolto decretava o xeque-mate e desferia um golpe na tola do outro oponente.
Acredita-se que esta subespécie possa ter sobrevivido até aos nossos dias, integrando-se nas populações humanas actuais passando quase despercebido. Quase. Não totalmente porque, para além das pernas arqueadas, dos ombros largos e de andar descalço pelas ruas, teima em ver a RTP2 em desfavor da TVI.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

É Natal !!! O Amigo Secreto

Já está a tornar-se uma tradição. Eu e um grupo de amigos, juntamo-nos em vésperas de Natal para trocar presentes simbólicos entre nós. Após um sorteio prévio, ficamos a saber a quem deveremos fornecer a prenda, informação que deverá ser mantida secreta até ao jantar de Natal organizado, onde, em apoteose, é revelado o “Amigo Secreto”de cada um.
Somam-se apostas, são definidas estratégias, até já existiram alianças impensáveis, tudo com a intenção de se saber previamente quem fica com quem.
Este ano calhou-me o Crazy Charm. Levou com a prenda com que tem sonhado nos últimos 5 anos: uma boneca insuflável com abertura bocal alargada. Eu levei com a excentricidade do Mr. Stylish que me ofereceu um Horóscopo Sexual, onde fiquei a saber que os nativos do meu signo são danados para a brincadeira, especialmente quando Vénus está alinhado com a Constelação da Jeropiga e desde que as luas de Saturno continuem a circular sem chocarem umas com as outras.
Este ano correu tudo bem. No ano passado não foi assim. Miss Susy, namorada de Stylish, e a minha Anuska, combinaram entre elas uma marosca. Veio a acontecer que nos papelinhos do sorteio haviam apenas dois nomes: os delas. Apenas elas receberam presentes. O caldo ficou entornado!!! Após morosas negociações (e porque era Natal) os presentes foram divididos por todos. Eu fiquei com um livro de fazer chorar as pedras da calçada dum homónimo do Sparks, Stylish ficou com um ursito de peluche, Crazy Charm com uma sexy lingerie preta.
Jurei ficar zangado com a Anusca depois daquela cena pelo menos por uma semana!! Mas que raios… Vénus nessa noite estava alinhado com a Constelação da Jeropiga…
Um Santo Natal para todos e se virem o Pai Natal digam-lhe que ainda estou à espera daquele boneco do Action Man que lhe pedi vai para 22 anos! (Não sei se me fiz entender a alguém …)

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Conto de Natal – O Sentido da Música

A noite estava gélida. A neblina, provocada pela proximidade do Rio, e o silêncio tornavam o ambiente quase sinistro. Os relógios estavam sintonizados. Faltavam apenas 3 minutos para passarmos à acção.
O segurança de serviço, sobrinho do primo do Seducer, tinha sido pago para não surgir na Ala Este do Edifício. O nosso vigia informara-nos pelo walkie-talkie, comprado na loja dos chineses, que o rapazito já tinha gasto o nosso suborno, estando agora de ressaca, dormindo dentro dum carrinho de compras.
Hora de entrar em acção! A invasão do Edifício foi rápida e limpa. Sexy Sparks era perito em arrombamentos sem deixar rasto visível. Com as luzes apagadas era mais complicado encontrar o balcão de informações. Stylish e o seu sentido de orientação tipo rato bêbado dentro dum labirinto, levou-nos para o sitio oposto, para junto das casas de banho. A tempo veio a correcção de Charm, que munido dum faro impar e reparando na luz de presença que iluminava tenuemente o balcão, guiou-nos até ao local.
Chegados ao balcão de informações, foi tempo de realizar a operação: roubar todos os cd´s com canções de Natal que aí se encontravam e que repetidamente eram postos a tocar durante todo o dia pelos funcionários, penetrando as músicas sem piedade, nos ouvidos dos clientes.
Missão cumprida!! Amanhã quando for às compras estarei a salvo daquela música maquiavélica que apela ao consumismo exacerbado.
Para todos um Santo Natal.

(Nota: Exceptuando o sentido de orientação de Mr. Stylish este texto é pura ficção)