segunda-feira, dezembro 12, 2005

Bandas Reunidas – Rebel Seducer e a Feira de Carcavelos

A 2ª etapa desta tarefa, que tanto anseio tem provocado nos fãs dos i-Glamour, levou-me à Feira de Carcavelos. Procurar por Rebel Seducer não foi difícil. Bastava seguir o som da música do Nel Monteiro até à Discoteca Ambulante do Chico Maia.
A bancada de vendas era um recheado de música da mais alta qualidade. Chico tinha resistido às tecnologias e às pressões comerciais. Mesmo ao lado, noutra banca, a sua mulher vendia farturas, pipocas e calçado da melhor qualidade.
Chico tinha dado emprego a Seducer. O trabalho consistia em rebobinar as cassetes de música após estas serem ouvidas. Lá estava o nosso guitarra ritmo, com uma caneta bic a girar a uma velocidade impressionante a cassete dos Modern Talking, que iria ser posta a tocar logo a seguir.
Aproximei-me do nosso rapaz e cumprimentei-o:
- Rebel como vais?
- Olha o Licínio. Então por aqui?
- Sim. Vinha à tua procura. Agora sou eu o gestor do Blog dos I-Glamour…
- Eu sei…
- Pois… é pá e introduzi lá uma rubrica nova. O Bandas Reunidas. E agora ando a ver se junto os I-Glamour numa sala para um concerto. A ideia é juntar a malta, pô-los a falar e quem sabe… a tocar qualquer coisita para uma sala cheia de fãs.
- Ah ah ah ah ah. Estás louco!! Então o Crazy agora deu em Chefe Tribal e anda lá para as Áfricas…
- Mas eu já falei com ele. Ele disse que sim.
- Disse?! Então eu também alinho. Só há é um problema…
- Qual?
- As cordas da guitarra… vendia-as à Dona Maria que fez delas um estendal.
- Não há problema. – Disse eu – Vi ali uns tipos a vender arame. A gente trata já disso. Depois é só dares uma afinadela no instrumento.
E assim já temos metade do grupo. E é como diz o povo: “Só custa as duas primeiras metades”.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Bandas Reunidas – Em busca de Crazy Charm

Recebemos unidades de e-mails. Todos exigiam que tentássemos reunir de novo os I-Glamour. E é isso que eu ando a tentar fazer. Comecei por ir à procura do Crazy Charm. As informações que possuía indicavam que o gajo estava no norte do Congo. Para lá parti, graças ao dinheiro dos Fundos para o Movimento de Autodeterminação da Ilha do Rato, que como tesoureiro-mor, a mim estão confiados.
Já no terreno consegui arranjar um guia, um rapazolas de 14 anos, ex-tenente do Exército Congolês, de nome Tongo. Com ele fiquei a saber que o Crazy Charm tinha alterado o nome para Ni Pilonga e que agora era considerado Chefe da tribo dos Bonga-bongas.
Acompanhado por Tongo penetrei nas densas florestas nortenhas do Congo. Comecei a ouvir tambores e a sentir o cheiro de castanha assada, cada vez mais intensos. Cheguei a uma zona desflorestada recheada de cabanas de folhas e canas. Num trono com 2 metros de altura feito de pau, estava o Crazy Charm, ou aliás o Ni Pilonga. Completamente irreconhecível. Vestido com pele de leopardo, com a face coberta de pinturas de guerra, trincava umas castanhas assadas e bebia, ao que parece, água pé. Aos pés do trono estavam 3 matronas, cada uma com dois petizes mulatos ao colo, todos com um ar que me pareceu familiar. Eu e o Tongo fomos surpreendidos por uma armadilha que nos fez ficar de cabeça para baixo, presos a cabos pendurados a uma árvore. Dezenas (se não centenas) de lanças afiadas cercaram-nos. Vozes gritavam para nós numa língua que eu nunca tinha ouvido. O Tongo ia respondendo como podia, à medida que ia encaixando uns pontapés na cabeça.
De repente Crazy Charm gritou qualquer coisa naquela estranha forma de falar. Eles libertaram-nos e transportaram-nos em ombros por entre berros, demonstrando enorme alegria. Largaram-nos como sacos de batatas no chão, à beira do trono. Já recomposto, reconheço uma voz que me perguntou:
- Licínio que fazes aqui meu amigo?
- Eu vim cá para te tentar convencer a entrar no novo programa do Blog I-Glamour. É o Bandas Reunidas. Basicamente é para reunir bandas famosas e…
- Eu sei o que é. – Interrompeu-me. - Não sei Licínio… o que disseram os outros?
- És o primeiro que eu consulto…aceitas?
- Ok. Podes contar comigo. Mas escuta… só vou se levar os meus Bonga-bongas.
Como poderia dizer que não? Um já estava, faltavam agora os outros três.

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Bandas Reunidas – Os Esquilo Esquizofrénico do Esquema Esquisito

É impossível não nos recordarmos desta banda, impulsionadora do rock regressivo da Baixa da Banheira. Se por acaso não se recordarem, contrariando a minha afirmação, não digam nada por forma a dar alguma credibilidade a este texto.
A banda separou-se vai para 15 anos. O som violento que impingiam nos instrumentos, provocava efeitos de alucinação e histeria nos fãs. Quem poderá esquecer o concerto da Vinha das Pedras, onde Peter, o vocalista, se lançou do palco para a plateia em busca do moch perfeito. Desde então ficou conhecido por “Gesso” Peter. A digressão foi retomada 232 sessões de fisioterapia depois.
Na manhã do último sábado desloquei-me ao refugio de Frankie Goes to Baixa da Banheira, baterista dos Esquilo Esquizofrénico do Esquema Esquisito. Ele seria o primeiro que eu tentaria convencer a reunir-se na mesma sala com os restantes elementos da banda. Frankie mora no antigo Bairro da Caixa, no Vale da Amoreira, num prédio de 4 andares bastante degradado. Com a avaria no elevador e com dois putos que, enquanto fumavam uns charros, me barravam a passagem pelas escadas, restou-me a alternativa de gritar pelo nome do Frankie. Mirando para cima por entre os lanços de escada gritei:
- Frankie… é o Licínio pá, o novo administrador do Blog I-Glamour. Ando a fazer um programa…
Nisto sou brutalmente interrompido pela queda duma torradeira, que caiu matreira na minha cachimónia. Levei 7 pontos. Enquanto fazia o curativo no Hospital do Barreiro, recebi um SMS do Frankie que dizia: “Reunir a banda? Nah… i´m out!! PS: Não fui eu que mandei a torradeira. A minha continua sobre o frigorifico, é que eu adoro torradas”.
Bem... com estes nada feito. Mas é como diz o povo: "Com o primeiro milho não enche o papo a galinha".

terça-feira, dezembro 06, 2005

Blog em autogestão

Com o fim dos i-glamour foi-me dada a honra de gerir este Blog até que, com a queda de visitantes que se adivinha, o Blog termine por si. Até lá vou honrar o que aqui foi feito. Como tal iniciarei um programa de música: O Bandas Reunidas.
O objectivo é simples e baseia-se na procura de grandes grupos musicais da nossa região que por qualquer motivo tenham desaparecido de cena. É verdade que quase todas tiveram um fim critico, terminando com pedras da calçada a voar em direcção ao palco nas Festas em Honra de São José Operário, ou em tentativas goradas de “moches”, ou ainda na distribuição dos membros da banda por distintos institutos prisionais do nosso país. No entanto iremos tentar juntar algumas bandas num concerto único.
Para que não desanimem por não terem o Talk Talk para ler, e de forma a dignificar este espaço, vou deixar-vos com uma poesia de minha autoria, intitulada “O Sumo das Palavras”, lá vai:


As quadras que escrevo
Têm sumo, são de relevo
Se forem bem espremidas
Matam sede como bebidas

Não tanto como a pomada
Que se bebe lá no Azedo
Que escorrega apressada
P´la goela, como um torpedo

Se depois de uma rodada
Tudo o que vês é a dobrar
Não metas culpa na pomada
É o teu estômago a fraquejar

Come pataniscas e chourição
Rissóis, torresmos, tremoços
E não te esqueças do belo pão
Tem cálcio, é bom prós ossos

segunda-feira, dezembro 05, 2005

I-Glamour – A Rotura

É com lágrima ao canto do olho e um profundo pesar no coração, que vos divulgo o fim da maior banda charming punk rockeira do Planeta. Chegou ao fim um projecto de 10 anos, que teve como objectivo primordial a divulgação do charme puro e duro através de melodias rebeldes, mas carregadas de simbolismo e tradição lusitana.
Era inevitável o fim. Crazy Charm há muito que tinha optado pela causa humanitária, pondo de parte a carreira como vocalista e guitarrista da banda. Há meses que não dava noticias. Viemos a saber que se encontrava algures no Congo, a viver com uma tribo indígena, alimentando-se de raízes e insectos, uivando e tocando tambores em noites de lua cheia, sonhando em segredo com a descoberta do Reino de Prestes João.
Rebel Seducer fez a opção séria de se dedicar ao seu sonho de criança: rebobinador de cassetes piratas na Feira de Carcavelos. As cordas da sua guitarra servem agora de estendal de roupa na barraca da Dona Maria. Ao que parece são resistentes e não sujam as toalhas.
Mr. Stylish profissionalizou-se na arte da cartomancia e vai finalmente dedicar-se ao fado marialva, actuando todas as terças-feiras à noite no Restaurante Repasto Saloio, no Lavradio. Como a sua voz soa a rajadas de vento a assobiar nos telhados, empresta apenas o estilo, fazendo playback. A voz fica a cargo de “Facadas” Canhoto. Para além disso começou a andar ao contrário, ou seja, de frente. As articulações já começam a habituar-se aos novos movimentos corporais.
Sexy Sparks, o nosso manager, ainda não sabe que a banda terminou. Aliás, quando lhe tentámos dizer ele riu à gargalhada e saiu da sala para ir comprar um pacote de sugos, julgando que estávamos a gozar. Não o voltei a ver. Acho que irá continuar a trabalhar para nós sem se aperceber que terminámos. Nada mudará na sua actuação.
Eu… pois eu pensei em seguir uma carreira a solo, mas depois caí em mim e optei por outra via. Amanhã começo uma nova vida. A apanha da alfarroba na Serra do Caldeirão é chão que está a dar muita uva. E nem preciso de levar escadote.
Aproveito para me despedir dos fãs e para lhes desejar felicidades. Foi-se o glamour mas ficou o mito! Até sempre!

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Glamour Gold

De vez em quando irei republicar uns textos mais antigos. Duma altura em que ainda não haviam (ou eram escassas e anónimas) visitas de pessoas que não me conhecem pessoalmente. A intenção é familiarizar os novos visitantes com o “Mundo” I-Glamour, pois sem se lerem algumas coisas mais antigas, estes novos textos poderão ser (ainda mais) confusos.
Por agora deixo-vos com um texto da rubrica “As Crónicas do Zé Caxias”.

Quinta da Fonte da Prata

Em tempos descobri um oásis. O meu cantinho de repouso. Trata-se duma vivenda que ocupei na Quinta da Fonte da Prata. Duas assoalhadas, ar incondicional (falta metade do telhado), casa de banho na natureza, construção rústica (algum tijolo, alguma madeira, muito fibrocimento), perto do rio (eu diria dentro do rio na maré cheia), bicharada a lembrar o campo (principalmente mosquitos e “amesteres” gigantes). Enfim… um autentico paraíso.
Ali descanso, ali escrevo, ali durmo, para ali levo companhia quando o coração se sente sozinho e o corpo pede aconchego. Tenho especial carinho por este bairro. Aqui vivi grandes dias como futebolista no Fonte Pratense Futebol e Chinquilho. Foram anos e anos a disputar a difícil 3ª divisão distrital em jogos de apoteose que chegavam a roçar o extraordinário. Era ponta-esquerda descaído para o banco, tal era o número de vezes que por lá ficava, tapado pelo “Facadas” Canhoto. O tipo jogava porque era sobrinho dum director e também porque era o único capaz de fazer um centro para a área sem ter que recorrer à força de braços.
Uma vez cheguei a marcar um golo. Foi num treino. Num dia em que o Zé Manel (o nosso guarda-redes) não apareceu. Estava um boneco a fazer de guardião, era um espantalho que o mister arranjou no caminho para o Gaio. Apesar de um pouco estático o tipo era bom, ainda defendeu 3 ou 4 remates!!!