sexta-feira, dezembro 02, 2005

Glamour Gold

De vez em quando irei republicar uns textos mais antigos. Duma altura em que ainda não haviam (ou eram escassas e anónimas) visitas de pessoas que não me conhecem pessoalmente. A intenção é familiarizar os novos visitantes com o “Mundo” I-Glamour, pois sem se lerem algumas coisas mais antigas, estes novos textos poderão ser (ainda mais) confusos.
Por agora deixo-vos com um texto da rubrica “As Crónicas do Zé Caxias”.

Quinta da Fonte da Prata

Em tempos descobri um oásis. O meu cantinho de repouso. Trata-se duma vivenda que ocupei na Quinta da Fonte da Prata. Duas assoalhadas, ar incondicional (falta metade do telhado), casa de banho na natureza, construção rústica (algum tijolo, alguma madeira, muito fibrocimento), perto do rio (eu diria dentro do rio na maré cheia), bicharada a lembrar o campo (principalmente mosquitos e “amesteres” gigantes). Enfim… um autentico paraíso.
Ali descanso, ali escrevo, ali durmo, para ali levo companhia quando o coração se sente sozinho e o corpo pede aconchego. Tenho especial carinho por este bairro. Aqui vivi grandes dias como futebolista no Fonte Pratense Futebol e Chinquilho. Foram anos e anos a disputar a difícil 3ª divisão distrital em jogos de apoteose que chegavam a roçar o extraordinário. Era ponta-esquerda descaído para o banco, tal era o número de vezes que por lá ficava, tapado pelo “Facadas” Canhoto. O tipo jogava porque era sobrinho dum director e também porque era o único capaz de fazer um centro para a área sem ter que recorrer à força de braços.
Uma vez cheguei a marcar um golo. Foi num treino. Num dia em que o Zé Manel (o nosso guarda-redes) não apareceu. Estava um boneco a fazer de guardião, era um espantalho que o mister arranjou no caminho para o Gaio. Apesar de um pouco estático o tipo era bom, ainda defendeu 3 ou 4 remates!!!

quarta-feira, novembro 30, 2005

O Código 14 – Capítulo IX

O barco a remos que os transportava para a Ilha do Rato era propriedade de Tia Albertina. Senhora de grandes virtudes, dona de casa a tempo inteiro, vendedora de jogo ilícito e atleta de levantamento de copo 3 nas horas vagas. A custo conseguiram convence-la a emprestar-lhes o batel. Aliás… a muito custo. Foram necessários 250 euros e a promessa de que o barco sobreviveria à viagem sob pena de serem severamente punidos fisicamente. Quando uma ameaça destas vem de alguém com 140 quilos, com pernas e braços facilmente confundíveis com troncos de árvore, deve ser levada a sério.
A maré subia rapidamente. Pedrito cadenciava a remada, procurando ignorar o cheiro a peixe, impregnado na madeira da embarcação, e os gemidos de Piaçá que começava a ficar almareado com o balanço provocado pelo rio.
Aproximavam-se da Ilha rapidamente. Alguns barcos de pescadores circundavam-na, muitos outros para ela se dirigiam. Era a romaria habitual ditada pela maré e pelo bom tempo. Fizeram o desembarque pela parte sul da ilha. O curto areal, repleto de mosquitos e cascas de canivetes serviu para se sentarem a retemperar forças e a definir estratégias.
- Fazes alguma ideia por onde devemos começar? – Questionou Pedrito Bodega ainda ofegante pelo esforço despendido.
- Faço. Pela casa em ruínas. Tudo o resto é areia, lodo e vegetação. Tem que estar ali.
Após o breve descanso, começaram a cortar caminho por entre a vegetação. A ilha não teria mais de 10 hectares. Na parte central existia o que restava duma pequena casota: a laje térrea em betão revestida com ladrilhos hidráulicos, algumas paredes de tijolo, destroços de mobiliário.
Entraram nas ruínas. O cheiro naquele local fazia o barco da Tia Albertina parecer um prado de flores num matinal dia de Primavera. As paredes estavam recheadas de alusões clubistas, juras de amor, frases de cariz político, símbolos erótico-pornográficos. Mas de todas as gravuras, houve uma que prendeu a atenção de Piaçá. A sigla dos Cavaleiros da Tasca, GCT, estava desenhada a tinta vermelha, na parede nascente, com uma seta apontada para o chão. Piaçá agarrou num pedaço de madeira, que teria sido em tempos a perna duma cadeira, e começou a bater na laje junto à parede onde estava a seta. O som oco indicava que havia ali algo. Entusiasmado bateu com mais força. O pau soltou-se da mão, batendo-lhe no pé direito. O incidente provocou-lhe imensas dores, iniciando então uma série de movimentos, que foram desde o saltar ao pé-coxinho, até ao cantarolar do “Fado do 31” deitado no chão, agarrado ao pé, como um futebolista após uma entrada mais dura. Pedrito Bodega decidiu agir. Agarrou o pau e ele próprio bateu naquela zona da laje. Com facilidade o ladrilho partiu e vislumbrou-se o que parecia uma pequena câmara circular com menos de 1 m de diâmetro. Após olhar para o seu interior, Bodega introduziu o braço direito apercebendo-se que, por entre pedaços cerâmicos e teias de aranha, a profundidade era de 50 cm. Reparou também na existência dum saco plástico com algo lá dentro. Fez emergir o saco. Era um saco do Feira-Nova duma campanha de Natal. Abriu o saco e tirou do seu interior uma caixa de sapatos (da Sapataria Tó-Zé) já meio deteriorada pelo tempo. O seu coração pulsava descontroladamente. Será que finalmente encontrara o que durante meia vida procurou?
O abrir da caixa de sapatos fez os olhos de Pedrito encherem-se de lágrimas. Piaçá, já menos dorido, rastejou até ele e olhou para o conteúdo da caixa. Estava revelado o segredo. O Graal estava ali, na Ilha do Rato: era uma pequena taça de cortiça. Junto à taça estava um manuscrito, com aspecto antiquíssimo, enrolado com uma fita doirada. Ao abrirem o manuscrito puderam ler:

Ó Pedrito foste apanhado
Tu e o lunático do Piaçá
É que o Graal foi comprado
Numa loja em Massamá


FIM

segunda-feira, novembro 28, 2005

O Código 14 – Capítulo VIII

“Já consegui decifrar o código”. Teria sido uma frase apreciada por Pedrito Bodega, se ele tivesse prestado atenção a Piaçá, que a repetia como um puto mimado. Mas a mágoa impedia-o prestar atenção. Tinha sido traído e desrespeitado por aqueles que julgava serem seus amigos. Aproximando-se do jovem disse:
- Piaçá, não obtive nada lá de dentro. Estou um farrapo. Não sei o que fazer.
- Mas Sr. Pedrito não me ouviu?
- O quê? Eu… não, não ouvi o que estavas a dizer…
- Eu disse que já consegui decifrar o código.
- Qual código?
- Então… aqueles números que aparecem no fim da folha. A mesma que nos trouxe até aqui? Dah!! – Disse Piaçá fazendo uma careta suficientemente ridícula para o eleger como cromo-mor duma qualquer irmandade de cromos.
- Já conseguiste? E como fizeste isso?
- Pensei sobre aquela sequência. – Começou por dizer Piaçá, que em simultâneo tirou uma folha rascunhada do bolso. A folha estava dobrada, mostrando a Pedrito apenas uma face da dobra, onde estava a sequência escrita. – Estamos diante dum código onde a cada número corresponde uma letra. Depois de inúmeras tentativas, não cheguei a nada de lógico. E havia algo de estranho no código, tínhamos letras repetidas, ou melhor, números repetidos.

9___7-6-13-13-12___9-5-13-13___10-13___5-12-6-13

- Sim. O 13. – Disse Pedrito olhando para a folha.
- Exacto. Daí conclui que para cada número pode corresponder mais do que uma letra. Foi então que me recordei do fim do capítulo III do livro do seu antepassado Raimundo. Ele pega numa carta do Almirante Caxias para El-Rei, contando a sua chegada à praia da Barra a Barra, e decifra uma sequência numérica a qual apelida de código catorze. Está lá tudo! Eu experimentei e resultou com a nossa.
Nisto desdobra uma vez a sua folha de rascunho e mostra-a a Pedrito.



____1_2___
__9____3__
_8__14__4__
__7____5__
____6____

- O que é isto? – Perguntou Bodega um pouco confuso.
- Isto ajuda-nos a contar os números até chegar a determinada letra de forma cíclica. Ao número que chegarmos subtraímo-lo ao 14 e temos o número correspondente. Por exemplo o a, corresponde ao número 1. Subtraindo-o a 14 temos o número 13. No entanto repare que a cada número corresponde mais que uma letra, o que torna as coisas confusas.
Com mais uma parte da folha desdobrada, Piaçá mostrou o seguinte a Bodega:

9___7-6-13-13-12___9-5-13-13___10-13___5-12-6-13

E___G H A A B ___E I A A___D A___I B H A
O___
Q R J J L ___O S J J ___N J ___S L R J
Z ______T T U _____Z T T___X T______U T


- E desta sopa de letras consegues perceber alguma coisa?
- Sim. Seleccionando a letra certa de cada número chego à seguinte frase…
Agora abrindo a totalidade da folha podia ler-se:

O GRAAL ESTA NA ILHA

- Na ilha!!!!?? O Graal está na Ilha do Rato!!!!!????????? – Disse Pedrito Bodega quase sem conseguir respirar.
- É o que diz o código. E que tal se fossemos averiguar?

sexta-feira, novembro 25, 2005

O Código 14 – Capítulo VII

Pedrito Bodega não tinha dúvidas, era Albino Calhau, ex-capitão do navio pirata “Lenita do Coina”, que em tempos assolara o Mar da Palha, lançando o terror nos Cacilheiros e nas canoas desportivas do Tejo. Começou então a observar os presentes, um a um. Apesar das fantasias conseguiu identificar (pelo menos assim ele julgou) um grande número deles. Fosse pela voz, pela barriga saliente, pelo amarelado dos dentes, ou pela pulseira banhada a oiro do Ti Bezana, Pedrito conseguiu ligar nomes a quase todos os indivíduos que ali se encontravam. O medo inicial transformou-se em raiva. Raiva que sentia por ter sido colocado de parte. Estavam ali amigos, companheiros de longa data, ex-colegas e ele não tinha sido convidado. Sentia-se dividido. Por um lado a investigação que estava a levar a cabo, por outro a vontade de estragar aquela reunião. Resistiu. Deixou-se ficar quieto a observar.
Aparentemente estaria a principiar um Ritual Iniciático. Um indivíduo, que Pedrito não conseguiu reconhecer, foi para o centro do círculo e deitou-se no chão de barriga para cima. Dois outros foram buscar uma pipa de vinho, colocando a torneira junto aos lábios do caloiro. O líder ordenou que o mancebo abrisse a boca. Em seguida os dois tasqueiros que haviam trazido a pipa, abriram a torneira que começou a jorrar vinho tinto para as entranhas do iniciado. Em uníssono a rapaziada começou a cantarolar “Se quiseres ser cá da malta, tens que beber esta pomada até ao fim, até ao fim…”. Alguns litros à posteriori, o novo membro era levado em ombros para o logradouro da Tasca, inconsciente.
Teve então início um sermão proferido pelo Grão-mestre. Pedrito ouviu coisas que lhe pareceram sem nexo: “Somos o que resta da Atlântida”, “ A Ilha Achada guarda o segredo”, “ Rapaz trás ai mais um copo 3 se faz favor”. Tudo aquilo era estranho. Que ilha seria aquela? Será que falavam da Ilha do Rato?
Nisto, enquanto continuava perdido em dúvidas, numa névoa de pensamentos, ouviu uma frase que o deixou em alerta: “ Parece-me que hoje não somos 16, mas sim 17. Estará cá alguém a mais ou é o tinto já a fazer efeito?”
Pedrito tinha sido descoberto. Não estava preocupado com isso. A irritação que sentia afogara-lhe o medo.
- Deve ser da bebida Binito. – Disse Pedrito Bodega – Sim porque eu sei que és tu. Estou muito desapontado contigo e com vocês também – Acrescentou ainda, apontando para os companheiros de círculo.
- Aqui não há Binitos, nem Zés, nem Maneis nem um raio que o parta! – Respondeu o Grão-mestre irado. – Entraste sem ser convidado. Andas atrás de alguma coisa. Que queres saber?
- Quero saber que segredo existe sobre a Ilha do Rato.
- Eu já te dou o segredo. Hornak mostra a porta de saída a este senhor.
Nisto surgiu o Homem das Cavernas, agarrou em Pedrito como se fosse uma saca de batatas e transportou-o até à porta, largando-o de seguida no chão frio da calçada.
- Senhor Pedrito – Exclamou Piaçá, que continuava sentado no passeio do outro lado da rua, com aquele seu sorriso parvo nos lábios. – Já consegui decifrar o código!!

quarta-feira, novembro 23, 2005

O Código 14 – Capítulo VI

Quinta-feira à noite, Bairro das Palmeiras. Duas figuras, uma alta e esguia e outra roliça e atarracada abeiraram-se da porta da Tasca do Azedo. Vinham de acordo com o aconselhado por Mr. Stylish, de túnica preta e máscara. Pedrito optara por uma mascarilha à Zorro, Piaçá trazia a máscara do Incrível Hulk.
- Que raios Piaçá… isso é caraça de se apresente?
- Era esta ou a do Topo Gijo…
A porta da tasca encontrava-se fechada, como aliás seria de esperar, a folga do pessoal era às quintas-feiras. Bateram (ambos) à porta. A porta foi aberta de forma brusca e do seu interior surgiu um indivíduo. Ali estava a prova que faltava aos defensores da teoria de que o Homem de Neandertal sobrevivera até aos nossos dias. Era uma criatura maciça, com cerca de 1,70 m de altura e a largura dum camião TIR. O pescoço confundia-se com os ombros. O semblante era de tal modo duro e agressivo que os nossos investigadores chegaram a questionar se teria ou não uma máscara colocada. Não tinha. Com uma voz gutural proferiu:
- Porque é que as gaivotas andam atrás dos pescadores?
Fez-se luz na mente de Pedrito. Afinal a primeira frase do enigma também estava resolvida, era uma senha de entrada. Orgulhoso em relação à sua perspicácia proferiu:
- Porque pensam que vão comer tainhas.
- E o que acontece às vezes? – Retorquiu o Homem das Cavernas.
- Por vezes os pescadores andam à caça do berbigão. – Respondeu Pedrito confiante.
- Ok. O consumo mínimo é uma garrafa de vinho. – Disse o porteiro estendendo a mão.
Pedrito tinha, como indicado pelo músico mistério dos i-glamour, uma garrafa de vinho tinto. Deu-a ao porteiro e entrou esquecendo-se de esperar por Piaçá. Este tinha trazido uma garrafa de groselha, que era a coisa mais parecida com vinho que tinha lá em casa. Foi-lhe vedada a entrada. Insistiu. Ficou a conhecer as pedras da calçada do passeio do outro lado da rua. E ali permaneceu sentado, aguardando novidades do interior do estabelecimento.
A Tasca estava irreconhecível. O balcão, as mesas e os bancos tinham desaparecido. No local onde normalmente estava o balcão, encontrava-se um cadeirão de madeira com adornos manuelinos esculpidos, bem por debaixo das prateleiras com garrafas de bebidas variadas e com o cartaz do Zé-povinho a alertar o facto do estabelecimento não permitir fiados.
A sala teria cerca de dezena e meia de pessoas, todos mascarados, aparentemente todos homens. Murmuravam entre si em grupos de dois ou três. Ouvia-se música ambiente de estilo New Age com sons da natureza. A iluminação estava a cargo de velas colocadas no chão junto às paredes e de tochas seguradas por 4 indivíduos a cada canto da sala. As máscaras destes quatro eram idênticas entre si, todas com a figura do Sapo Cocas.
Subitamente ouviu-se por três vezes o rufar dum tambor. Fez-se silêncio e em seguida ouviu-se uma voz proferir:
- Sua Excelência o Grão-mestre dos Glamourosos Cavaleiros da Tasca.
Entrou um indivíduo na sala, provocando vénias cerimoniais dos presentes. Trazia a mesma vestimenta dos outros. No entanto havia algo que o distinguia. A máscara era bela, doirada, provavelmente com a figura do deus Neptuno e trazia um bastão em ferro com a esfera armilar no topo, a luzir prateada. Sentou-se no cadeirão, todos os restantes sentaram-se no chão formando um círculo. Pedrito estava de frente para o Grão-mestre.
- Que a Ilha Perdida se reveja na Ilha Achada. – Disse o líder do grupo, recebendo em troca em uníssono um “Que assim seja”.
Pedrito sentiu um calafrio e pensou: “Que estranha frase… e esta voz… é-me familiar. Será que é de quem eu estou a pensar?”

segunda-feira, novembro 21, 2005

O Código 14 – Capítulo V

Quem é do Barreiro, ou arredores, tem no seu subconsciente as imagens das enormes chaminés de fábrica, brancas às riscas encarnadas (ou vice-versa). Com o passar dos anos as fábricas foram fechando. As chaminés foram-se tornando simples recordações dum passado glorioso, quais rainhas depostas da Indústria portuguesa.
Mr. Stylish decidiu remodelar uma delas. Uma com vista ampla sobre Lisboa e o Tejo. Criou três pisos no seu topo, abrindo vastas janelas para o rio. É aí que habita e trabalha.
Pedrito Bodega e Nuno Piaçá fizeram-se anunciar por intermédio dum comunicador situado no sopé da chaminé, junto à porta de entrada. Foram subindo por um elevador interior. Ao chegarem ao chamado piso 1, tinham uma senhora de idade, roliça e sorridente que os recebeu.
- Entrem por favor. Eu sou a Lurdes, sou assistente de Mr. Stylish. Ele está a acabar de receber uma cliente. Queiram aguardar na sala.
Mr. Stylish era cartomante, para além de baterista dos I-Glamour. Estava a terminar a consulta a uma jovem desesperada. Pelos vistos a consulta tinha corrido muito bem, uma vez que a rapariga saiu com um sorriso nos lábios do interior do seu gabinete.
- Por aqui por favor – Indicou a Dona Lurdes aos dois pesquisadores.
O gabinete de Stylish era uma bela sala. Situada na parte norte do piso 1, tinha um envidraçado a toda a altura com uma vista fantástica sobre Lisboa. O dia claro permitia ver o rio, os barcos, a Sé, o Castelo, as duas pontes, a serra de Sintra. Stylish estava sentado como normalmente o fazia, no centro da sala, num banco rotativo, de costas para os nossos investigadores, junto a uma mesa redonda, onde também se encontravam duas cadeiras brancas de plástico.
- Bem-vindos. Façam o favor de se sentarem. Então Sr. Bodega em que posso ser útil?
Bodega e Piaçá sentaram-se nas duas cadeiras.
- Mas… - Disse baixinho Piaçá estranhando a forma como Stylish os recebia – ele está de cost…
- Chiu… – Interrompeu Bodega com uma cotovelada à mistura, não se mostrando surpreendido perante o comportamento do músico/cartomante – Mr. Stylish nós desejávamos obter informações sobre a ligação dos I-Glamour aos Glamourosos Cavaleiros do Charme.
- Informações?! – Disse Mr. Stylish. – Ah ah ah. Não há ligação nenhuma. Onde foram tirar essa ideia?
- Repare neste manuscrito. – Disse Pedrito.
Pedrito Bodega ordenou a Piaçá que entregasse a Stylish a folha. Este sem saber bem o que fazer esticou o braço de forma indecisa e lenta. Stylish num gesto rápido arranca-lhe a folha da mão e coloca-a sobre a mesa mesmo à sua frente, ou por outra, atrás de si.
- Ora bem deixem-me ver…. – Disse Stylish dando a entender que lia a folha. – Não posso dizer nada sobre isto.
- Não pode?! Vá lá. Há ligação entre os I-Glamour e os Cavaleiros ou não?
- Eu não disse nada! Eu não disse nada!
- Isso quer dizer que há! E que tipo de ligação? Diga-me.
- Não sei… não sei. Já ouviu falar das reuniões secretas na tasca do Azedo às 5ª Feiras à noite? Eu cá não sei de nada disso, mas se aparecer lá com uma máscara e uma túnica preta e levar uma garrafa de vinho é capaz de entrar. Mas é como lhe digo… eu não sei nada. Já agora meu rapaz – Diz Stylish virando a nuca na direcção de Piaçá – Aposto que não tens namorada, queres descobrir quando vais arranjar uma?
- Pode ser? – Perguntou o entusiasmado rapaz a Pedrito Bodega, como se este fosse seu pai.
- Pode. Agora só 5º Feira é que entramos em acção…