sexta-feira, novembro 18, 2005

O Código 14 – Capítulo IV

- Ora diz-me lá o que já entendeste desses rabiscos. – Pediu Pedrito Bodega, após olhar durante largos minutos para a folha, sem nada entender.
- Então é assim: A primeira parte, a das gaivotas, como o senhor já calcula, não sei o que significa. A segunda parte é claramente uma alusão aos Glamourosos Cavaleiros da Tasca: "GTV Allez Allez, GTV Allez Allez!!".
Estas últimas palavras foram proferidas numa espécie de cântico. Piaçá levantou-se do chão, iniciando uns pulos ridículos, que tornavam o seu cabelo ainda mais caricato. Com os braços complementava a coreografia, em movimentos dos antebraços para a frente e para trás, ao estilo polícia sinaleiro.
- Ok, ok, pára lá com isso. – Interrompeu Pedrito – E como fizeste essa ligação? Só por causa das iniciais?
- Não está a ver a lógica?! As iniciais e uma palavra francesa repetida em seguida?!! - Perguntou Piaçá com ar de entendido na matéria. – As iniciais levam-nos para essa sociedade secreta que como se sabe é erudita. Todos os eruditos são intelectuais, os intelectuais falam francês…
- Ehhhhhh não me digas, tens toda a razão!!! – Desabafou Pedrito ao mesmo tempo que batia com a palma da mão na testa, ao jeito do anúncio da Santa Casa.
- Digo sim. E há mais: O jogo do galo resolvido mostra uma clara alusão esotérica antiga. Onde a resolução dum enigma aparece como símbolo de sabedoria e de intervenção critica perante a Sociedade. Para além de indicar que eram dois os consultores da obra e que um deles jogava mal como o caraças! A frase que aparece em seguida é que me tem dado cabo do canastro. “Na tasca do Azedo tens um cu que mete medo”. Tenho vindo aqui há semanas e ainda não tive medo de nenhum traseiro… enfim. A última coisa, os números, pois… também não faço a mínima ideia. Parece-me um código.
Nisto Pedrito levanta-se e cerra o punho num gesto de vitória exclamando “é isso catano”.
- É isso o quê?
- Então mas tu és jovem e não conheces essa frase? – Perguntou Pedrito.
- A do traseiro que amedronta? Eu não!
- É parte duma letra duma banda de música famosíssima por estas zonas…
- A Banda Filarmónica do Gaio-Rosário?
- Não rapaz!! Os I-Glamour. E repara no nome… Glamour. Isto não te recorda nada?
- Pladur? O meu papá trabalha nisso, ele…
- Não meu atadinho. – Interrompeu Pedrito já irritado. – Faz lembrar Glamourosos. Glamourosos Cavaleiros da Tasca. Aposto que se falarmos com a rapaziada da banda vamos chegar a mais conclusões.
Nisto partiram dali. Nuno Piaçá tinha vindo de autocarro, pelo que Pedrito Bodega lhe deu boleia na sua “pasteleira”. A velha bicicleta quase não aguentava com o peso dos dois investigadores. O que valia era a pouca duração da viagem. A casa de Mr. Stylish, reconhecidamente o mais misterioso dos I-Glamour, era já ali ao virar da esquina.

quarta-feira, novembro 16, 2005

O Código 14 – Capítulo III

Pedrito não podia estar menos preparado para ouvir Piaçá. A fé em se envolver numa trama esotérica tinha ruído face à primeira impressão deixada pelo rapaz. Mesmo assim, encostou-se na cadeira e proferiu:
- Sou todo ouvidos. Diz lá o que tens a dizer.
O rapaz esboçou um sorriso no limiar do ridículo, sentou-se no chão com as pernas em posição de Buda e começou a falar:
- Sr. Pedrito, certo dia tinha eu acabado de entrar na Torre do Lombo, em busca duns bifes de porco para panar, quando o empregado, após a pesagem dos ditos, os envolve numa folha que desde logo me pareceu estranha. Não era a normal embalagem de papel. Era um pergaminho antiquíssimo!!!
- O que?!! – Questionou Pedrito incrédulo – Nessa não acredito.
- Eu também não acreditei. Mas depois perguntei ao Zorro, que é o nome do empregado, que raio de papel era aquele. Ele disse-me que tinham acabado as embalagens de papel que normalmente encomendam na tipografia Troca-tintas, e que por conseguinte estavam a utilizar livros do arquivo, porque ninguém lhes ligava peva!
- Sacrilégio!! – Gritou Pedrito Bodega já quase morto pelo choque.
- Eu então pedi-lhe o que restava do livro e dei-lhe em troca umas revistas que trago comigo, coisas relacionadas com estudos anatómicos e assim. Reparei então aliviado que a folha que cobria os meus bifes era a primeira arrancada. Tinha em minha posse o livro por inteiro! E mais… o livro era antiquíssimo, datado do século XIV, altura da descoberta da Ilha do Rato.
- Graças aos Deuses da Cultura!!! – Desabafou Pedrito Bodega agora mais calmo.
- Mas foi quando cheguei a casa e comecei a desfolhar o livro que reparei no tesouro que me caiu em mãos. O livro foi escrito por Raimundo Bodega, que descreve a Descoberta da Ilha do Rato e acrescenta factos até agora desconhecidos do público em geral.
- Raimundo Bodega é um tetravô meu. Era conhecido como amolador de pedra-pomes e como pescador, não fazia ideia que tinha sido cronista!!! – Disse Pedrito Bodega já totalmente rendido à trama. – Mas que factos são esses?
- Ele diz que a Ilha do Rato já era conhecida antes de Caxias lá ter chegado. E diz também que a ilha guarda um grande segredo mas que não sabe qual é. Para além disso o livro mostra anotações à mão que indicam ter sido consultado posteriormente e eu até aposto que foi há pouco tempo.
- Porque dizes isso?
- Repare nas anotações que são todas na última página do livro, todas com a mesma letra, cujo estilo revela a actualidade das mesmas.
Abrindo o canhenho na última página lia-se:


- Sr. Bodega, parte destas anotações está decifrada. Para as restantes conto com a sua colaboração…

segunda-feira, novembro 14, 2005

O Código 14 – Capítulo II

Apressadamente Pedrito estacionou a sua “pasteleira”, prendendo-a a um sinal de trânsito com um cadeado, junto à Tasca do Azedo. Não era a primeira vez que entrava naquele mítico estabelecimento. Era homem vivido, conhecia a região como a palma de suas mãos. A amizade que mantinha com inúmeras personalidades da terra tinha ganho corpo ali. Talvez por isso achava estranho não se recordar de Nuno Jerico. Quem seria esta personagem que afirmava frequentar a Tasca do Azedo?
Ao entrar na Tasca, sentiu algo no ar que o fez viajar no tempo. Era uma miscelânea de aroma a bafo de álcool, cheiro a fritos e fedor a transpiração. Olhou em redor e não viu ninguém que correspondesse à descrição do anúncio. Sentiu fome. Dirigiu-se ao balcão e disse para o empregado:
- Olá Manel tudo bem!
- Olá Sr. Bodega como está? Já não aqui vinha há muito tempo!
- É verdade. Sabes como é. Olha… quero duas coisas. Para comer quero uns pipis fritos com arroz de tomate acompanhados por vinho tinto da casa. E depois quero uma informação sobre um tal de Nuno Jerico.
- Nuno Jerico?! – Mostrou-se surpreendido.
- Uh… é um jovem que diz que o tratam por Piaçá – lembrou-se Pedrito de acrescentar.
- Ahh… o cromo da juba!!! É pá o tipo deve estar para ai a chegar. Ele vem sempre cá almoçar.
- Ok. Mas porque é que eu não me lembro dele sendo ele um frequentador assíduo?
- Ele começou a vir para cá apenas há alguns meses. Costuma sentar-se numa cadeira ali ao canto. Farta-se de observar as pessoas e de tirar notas para um caderninho. Olhe… até houve um dia que apanhou o Sr. Azedo mais mal disposto e levou um enxerto de porrada.
Ainda mais intrigado, Pedrito sentou-se e aguardou. Entretanto chegou o petisco e começou a comer. Quando já ia a meio do repasto, absorvido por pensamentos é surpreendido por um estrondo que vinha da zona da porta de entrada. Virou-se e contemplou o que se passava. Um rapaz, que não teria mais de 20 anos, de óculos, com o cabelo mais volumosos e grosso que alguma vez tinha visto, estava estatelado no chão. Em redor do corpo inerte, espalhados pela queda, estavam papeis soltos, livros, disquetes, canetas, marcadores, uma bússola, um jornal, duas revistas Gina, dois bonecos de plástico (o Homem Aranha e o Incrível Hulk) e uma pasta de cabedal. De repente o jovem levantou-se atrapalhado e começou a apanhar as coisas colocando-as dentro da pasta e proferindo algumas palavras do género “ai só a mim”, “eu tenho um azar do caraças…chiça”. Após concluir a operação dirigiu-se a Pedrito e identificou-se:
- Olá Sr. Pedrito Bodega, eu sou o Nuno Piaçá.
Pedrito sentiu um calafrio em forma de desilusão. Tinha perante ele o maior cromo que alguma vez tinha visto. A história do enigma seria certamente um engano. Aquele rapaz magro, de sobretudo até aos pés, com um cabelo que contrariava a lei da gravidade, com quase tantas borbulhas na cara como chaparros há no Alentejo, certamente não teria nada de estrondoso para lhe revelar. Tentando disfarçar a desilusão disse:
- Olá Nuno. Então diz-me o que é aquele enigma? Que mistérios se escondem por detrás de tão enigmática frase?
- Ai Sr. Pedrito – Disse Piaçá sem conseguir esconder o entusiasmo. – Esta frase guia-nos ao Graal e a outros mistérios ainda mais profundos. Prepare-se para o que eu lhe vou dizer.

quinta-feira, novembro 10, 2005

O Código 14 – Capítulo I

Pedrito Bodega é um dos grandes intelectuais de toda a costa sul do Mar da Palha. Reformado da antiga Setnave, passava agora o seu tempo a deambular por entre estudos diversos, absorvendo cultura como as esponjas absorvem a humidade. Dedicava-se à escrita biográfica, à literatura erótica, ao pensamento erudito de filósofos esquecidos em prateleiras poeirentas de bibliotecas, ao desbravar de revistas e jornais em busca de mensagens ocultas, enfim… demandava o Graal e a verdade sobre os Glamourosos Cavaleiros da Tasca, também conhecidos por Tasqueiros.
Decorria a manhã duma bela terça-feira primaveril. Andorinhas inquietas construíam os seus ninhos nos beirais dos prédios. Pedrito bebia a sua xícara de chá preto indiano acompanhada duma carcaça com torresmos e banana, no Snack-bar do Quim Bagaços. Ao folhear o “Noticias da Vinha das Pedras”, procurando a solução para o Su Doku da página 3 (aparentemente de solução impossível), Pedrito Bodega deparou com um estranho enigma. Nunca tinha visto nada assim. O que inicialmente parecia um anúncio, revelou tratar-se duma estranha mensagem codificada, que por incrível que pudesse parecer, lhe era aparentemente dirigida.

PROCURA-SE
Sr. Bodega leia isto e decifre por favor, está relacionado com a Descoberta:

AS GAIVOTAS QUANDO ANDAM ATRÁS DOS PESCADORES É PORQUE PENSAM QUE VÃO COMER TAINHAS. MAS POR VEZES OS PESCADORES ANDAM À CAÇA DO BERBIGÃO.
(Infelizmente não lhe posso revelar quem sou por razões de segurança pessoal e sua também. Mas caso não me consiga identificar pela charada, queira dirigir-se à tasca do Azedo situada no Bairro das Palmeiras porque costumo lá estar. Sou aquele jovem de óculos de massa pretos com cabelo volumoso e despenteado que todos tratam por Nuno Piaçá, embora o meu verdadeiro sobrenome seja Jerico.)


Pedrito ficou atónico. “Mas que raio será isto?! Santa Intelectualidade me acuda!”, pensou para si enquanto acariciava a farta barba acinzentada. Aquela charada era completamente diferente de todas as outras com que se tinha deparado até então. Era confusa, um pouco absurda até, o que a tornava um aliciante desafio. Juntar Tainhas, Berbigão e Pescadores na mesma frase era sem dúvida um acto de uma profundidade esotérica gritante. A mensagem estava sem dúvida repleta de mistério.
Após horas de análise, de consulta de documentos antigos, de importantes telefonemas a amigos académicos, Pedrito tomou uma decisão: Ir até à Tasca do Azedo e conversar com o tal Nuno Jerico.

terça-feira, novembro 08, 2005

Star Wars of Charm – Episódio VI

Há pouco… pouquíssimo tempo até, numa galáxia aqui bem perto….


Episódio VI – O Regresso dos Caminhantes
A fuga de Style Solo e Sparks Moonwalker para
Disco foi detectada pelas forças Imperiais. Duque
Vader e a própria Imperatriz comandam a Frota
Imperial que se dirige agora para o pequeno planeta





O planeta Disco não era um planeta como os outros. Situado num sistema longínquo, era visto como antro de diversão popular, sem requinte, desprezado pelos intelectuais do Império. Ali havia Carnaval todos os dias. Embora de forma inconsciente, o Charme era fortíssimo no planeta. Talvez por essa razão tenha sido o local escolhido para refúgio do que restava da grande Força de Elite Inter-planetária: Os Caminhantes do Estilo.
Style tinha ouvido dizer que um antigo Mestre Caminhante seu conhecido, Yoda Seducer, deambulava por SayFreak City, capital do Disco. Era sua intenção contar com a ajuda de Yoda para treinar o jovem Moonwalker, pois não se sentia seguro como instrutor. De facto tinham decorrido demasiados invernos desde a sua última missão como Caminhante. A implantação do Império enferrujara-lhe o Charme.
Juntamente com Sparks, Style dirigiu-se a um bar onde a presença de Yoda era provável. O tiro saiu certeiro. Agarrado a uma caneca de café com leite, trajando a velha vestimenta dos Caminhantes, com a túnica prateada e sandálias com meia branca, lá estava Mestre Seducer com o ar de profunda tranquilidade que lhe era característico.
- Olá Seducer – Abordou-o Style Solo – Como vai isso?
- Olá Style… então tudo bem? – Respondeu Seducer com ar feliz e surpreso - E este não me digas que é quem eu penso?
- É o Moonwalker…mas … mas como soubeste? – Perguntou Style perplexo.
- Sabes que o Charme se revela de inúmeras formas. E claro… não se fala noutra coisa na televisão, nos jornais, na rádio. Aliás parece que vem aí uma frota da Imperatriz para destruir o Disco.
- Ah sim!? E como consegues ficar tão calmo?! – Perguntou um Style aflitíssimo. – Tens que me ajudar, tens que me ajudar a treinar o Moonwalker, ele tem que aprender os movimentos rapidamente… temos que lhe incutir o Charme.
- Calma Solo. – Respondeu Seducer com uma serenidade quase irritante – Já não é a primeira vez que tentam acabar com o Disco. Quanto a ajudar-te… temos um problema. É que a minha especialidade não é o moonwalking. Eu sempre fui perito na dança dos “Cabeçudos da Moita”.
- Está bem. E eu também não sou um expert em moonwalking. Eu sou mais um…
Nisto Style é interrompido. Da boca de Yoda surgem sons a lembrar o troar de tambores. O seu corpo inicia então movimentos estranhos, onde os pés saltitam de forma tresmalhada e os braços se encontram presos ao corpo, simulando “Gigantones”. As pessoas que se encontravam no bar começaram então a bater palmas ao ritmo do “pum pum pum” que jorrava da garganta de Yoda.
Nisto irrompem pelo Bar nada mais nada menos que a Imperatriz, o Duque, Ubi e Chewbacca amarrados por cordéis e uma hoste de Trombones armados com antipatia até aos dentes. Faz-se um silêncio sepulcral. Por instantes o lado luzente do Charme é consumido pelo poder negro da Imperatriz e do sinistro Duque Vader.
- Come-se alguma coisa nesta espelunca? – Questionou de forma seca a Imperatriz, acrescentando de seguida – Sentem-se connosco Caminhantes, vamos conversar.
De certa forma o ambiente desanuviou. Mas o que quereria a Matrona? Essa questão perturbava os nossos heróis. A dúvida desfez-se rapidamente.
- Jovem Moonwalking, porque não vens trabalhar comigo hum? Sabes… se ficares com esses tipos não vais passar da cepa torta, não passam duma cambada de malucos. O lado negro da força já seduziu um Moonwalker – Referiu olhando sobranceiramente para Vader, que permanecia quieto e cabisbaixo – Espero que te seduza a ti também.
O jovem Moonwalker parecia ceder. Olhou para o seu “parente” que permanecia cabisbaixo e sentiu respeito. Um estranho respeito. Ele também poderia vir a usar um elmo como aqueles, ser tratado por Duque, Conde ou até quem sabe Príncipe.
Tudo parecia perdido. Mas foi então que aconteceu um milagre. A TV estava ligada num canal de música que passava telediscos antigos. Começou a dar o “Star Move Criminal” do grande Guru do Charme Michael Jet Sun. Para além de teledisco, era um ancestral vídeo de ensinamentos utilizado pelos Mestres Caminhantes. Sparks olhou e sentiu-se impelido por um estranho chamamento. Nisto levantou-se, começou a cantarolar a música e a mover-se como se nas solas dos seus ténis estivessem rolamentos. Era o Moonwalking!!!! Os restantes Caminhantes ficaram sem reacção, boquiabertos. A Imperatriz começa a rir à gargalhada entrando por isso em pânico. Duque Vader levanta-se rapidamente e tenta deter Sparks para evitar a catástrofe que se adivinhava. Em vês de o fazer parar, inadvertidamente inicia uma coreografia com ele, mostrando perceber muito bem da poda. A Imperatriz e os Trombones desfazem-se em fumo, num fantástico efeito especial de filme de baixo orçamento. A máscara do Duque salta revelando sem surpresa para Solo e companhia de quem se tratava. Era Steve Moonwalker, um antigo companheiro Caminhante.
O lado negro do Charme tinha sido destruído. A Paz e a Loucura Saudável estavam de regresso à Galáxia. Os Caminhantes do Estilo também.

quinta-feira, novembro 03, 2005

Star Wars of Charm – Episódio V

Há pouco… pouquíssimo tempo até, numa galáxia aqui bem perto….


Episódio V – O Império Contra-Ataca
A Imperatriz Matrona descobre os intentos
dos Rebeldes. Num acesso de fúria lança as suas
naves contra Glamour. As forças Rebeldes tentam
reorganizar-se agora com o apoio de Ubi Wan Talk



A situação poderia estar melhor. Centenas de naves imperiais em órbita do planeta Glamour. Os rebeldes ao verem a triste figura do seu suposto “Salvador”, Moonwalker Sparks, entraram em estado choque e refugiaram-se nas montanhas.
Solo, Chewbacca, Ubi Wan e Moonwalker ficaram…aguardando a chegada do Duque Vader, Trombas Mor do Império.
O Duque era uma figura sinistra. Metade humano, metade aquecedor eléctrico. Vestido com um uniforme metálico, tipo armadura medieval, de cor bege, elmo da mesma cor, máscara em gradeamento que aparentemente escondia uma ventoinha, uma capa negra e sapatos de vela. Dizia-se que era o brinquedo favorito da Imperatriz. Viviam uma relação nupcial. Sempre que ela precisava dum aconchego mais amornado era só carregar no botão.
O rendez-vous negocial, entre o Duque e o que restava dos rebeldes iria ter lugar num local emblemático, o antigo templo dos Caminhantes do Estilo. Vader fazia-se acompanhar pela sua guarda pessoal, os Trombones, todos vestidos de igual com uniforme azul-bebé, capacete de obra branco e faces absolutamente amorfas. Era um sítio familiar para o Duque, que transpôs o portão principal e se dirigiu ao local pré-combinado. Ao fim de 200 metros chegou a um pequeno barracão. Abriu a porta e lá estavam velhos conhecidos seus e uma cara nova. Sem perder tempo e de forma seca proferiu:
- Então que têm a propor? Devo dizer-lhes que vos resta 15 minutos até que este planeta seja dizimado.
- Eu também tenho saudades tuas – Ironizou Ubi Wan, que acrescentou em seguida – temos aqui o último dos Moonwalkers. Como deves saber, segundo a profecia, ele tem o poder de destruir o lado negro do Charme. O que eu peço é que tu e a tua patroa acabem com esta palhaçada e que libertem a Galáxia, senão meto o Sparks a fazer o moonwalking.
O bluff não resultou.
- AH AH AH AH AH AH AH AH – Vader libertou sinistras gargalhadas e disse ainda – O lado negro do Charme é indestrutível velho Mestre Caminhante. A concentração, a sisudez, a antipatia, a capacidade de conversar durante horas sem contar uma piada e sem achar graça a nada … isso são coisas eternas… AH AH AH AH AH AH AH AH Ah.
- Mas oh Vader pá… - Referiu Style Solo – Isso não são gargalhadas? Não estarás a achar piada?
Por momentos Vader sentiu-se confuso. Ubi Wan aproveitou o momento e iniciou o moonwalking acompanhado de Chewbacca. O Duque e os trombones tentam resistir ao ataque, contra-atacando com caretas de reprovação. O Duque era poderoso, grande era o lado negro do Charme em si.
Ubi e Chewbacca ficaram reféns, presos num limbo de intelectualidade ferida, onde o seu sorriso estava cativo, onde apenas fórmulas matemáticas e livros chatos sobre decoração lhes vinham à ideia. Foram levados para a Nave Mãe.
Style Solo conseguiu fugir com Sparks apanhando o último comboio para o planeta Disco, local onde se supõe estarem refugiados os últimos Caminhantes do Estilo sobreviventes da Guerra dos Cones. Será o local ideal para ele, um antigo Caminhante, ensinar ao jovem Sparks os ensinamentos do Charme e libertar o Moonwalker que há nele. Assim se espera.