Quem me conhece sabe que eu não danço. Dirão alguns: “É uma questão de estilo, assim estático no meio da pista o tipo faz lembrar uma espécie de Menir gigantesco… é bestial e as miúdas adoram!”. Dirão outros: “O rapaz nasceu com dois pés esquerdos, por isso é que na escola quando íamos jogar à bola e estávamos em número impar ele não jogava e fazia de vendedor de coiratos”.
Isto são mitos que se vão espalhando, não correspondendo necessariamente à verdade.
A razão pela qual eu não danço, tendo mesmo adquirido o cognome de "o Obelisco da Baixa da Banheira", é outra.
Estávamos nos anos 90. A banda do momento eram os Boca Seca. Lideres do movimento “Granja” nascido e criado no “underground” da Vinha das Pedras. Não era propriamente um som que desse para dançar. Rico em batidas fortes, ganidos e guitarras que se partiam, tratava-se mais dum estilo musical a puxar para a introspecção e procura do sentido da vida.
Como qualquer adolescente da região fui influenciado por aquele som brutal. Certo dia consegui falar com o vocalista, o Smites Babarracho. Não foi fácil compreendê-lo pois era um tipo que se exprimia através do emprego de metáforas e mensagens codificadas, para além de na altura estar a ruminar uma sandes de torresmos ao mesmo tempo que falava.
- Ouve rapazote – disse-me ele exibindo de bocarra aberta um “bolo alimentar” que resultara da mescla de pão, torresmos e saliva – A malta não curte este tipo de cenas “méne”. Não vou aqui armar uma espiga por causa disso… mas não gramei ver-te a ti e a outros panhonhas a dançar ao som das nossas músicas. O Granja é como o Fado, não se dança, sente-se.
Ouvir isto da boca do ídolo, ainda para mais uma boca cheia de comida, é chocante para um miúdo de 14 anos. Tão chocante tão chocante que nunca mais fui capaz de mexer os pés ao som duma música. A não ser que fosse o Moonwalking … mas isso é outra história.
A razão pela qual eu não danço, tendo mesmo adquirido o cognome de "o Obelisco da Baixa da Banheira", é outra.
Estávamos nos anos 90. A banda do momento eram os Boca Seca. Lideres do movimento “Granja” nascido e criado no “underground” da Vinha das Pedras. Não era propriamente um som que desse para dançar. Rico em batidas fortes, ganidos e guitarras que se partiam, tratava-se mais dum estilo musical a puxar para a introspecção e procura do sentido da vida.
Como qualquer adolescente da região fui influenciado por aquele som brutal. Certo dia consegui falar com o vocalista, o Smites Babarracho. Não foi fácil compreendê-lo pois era um tipo que se exprimia através do emprego de metáforas e mensagens codificadas, para além de na altura estar a ruminar uma sandes de torresmos ao mesmo tempo que falava.
- Ouve rapazote – disse-me ele exibindo de bocarra aberta um “bolo alimentar” que resultara da mescla de pão, torresmos e saliva – A malta não curte este tipo de cenas “méne”. Não vou aqui armar uma espiga por causa disso… mas não gramei ver-te a ti e a outros panhonhas a dançar ao som das nossas músicas. O Granja é como o Fado, não se dança, sente-se.
Ouvir isto da boca do ídolo, ainda para mais uma boca cheia de comida, é chocante para um miúdo de 14 anos. Tão chocante tão chocante que nunca mais fui capaz de mexer os pés ao som duma música. A não ser que fosse o Moonwalking … mas isso é outra história.