quarta-feira, junho 13, 2007

Histórias do Movimento Associativo I

Toca o telefone no meio da reunião com o Sôr Presidente da Câmara. Tózito da Cadela, apesar de adorar aquela música do Quim Barreiros, não resiste e atende o telemóvel… precisamente no meio do discurso do edil:
- Tou? Quem?! O Quim?! Qual Quim?! O meu irmão?! Ah… então Quim tudo bem? Peço desculpa aos presentes mas é urgente… o meu irmão Quim está outra vez pior das “almerroidas”. É dos enchidos!
Situações destas estão sempre a acontecer, animando o pessoal. Recordo a vez em que Pedrito Bodega, ainda no tempo do outro Presidente, se lembrou de demonstrar como se dançava o Kizomba na intenção clara de convencer a Câmara a soltar verbas para a compra duma aparelhagem da associação recreativa que representava.
No entanto é errado julgar-se que não são aqui discutidos assuntos verdadeiramente sérios. O Simões, um habitue nestas andanças, tem sempre algo de novo a transmitir. Ontem, munido de documentação que fez questão de ler para os presentes (eram cerca de 10 páginas!), descascou de forma feroz em tudo o que mexia. Pelo menos assim pareceu. As poucas palavras que percebi: “Presidente”, “mentira”, “assim não dá”, “manta rota”, “Blitzkreig Bop” e “eu sei que parece pela pronúncia mas eu cá não sou o Shrek”, deram claramente a entender que a coisa estava brava!
No final …tudo fica bem quando acaba bem. Sorrisos, algumas palmadas nas costas e uma imperial na tasca da esquina para o caminho. Apenas um amargo de boca: Este Presidente não aprecia tanto o Kizomba como o anterior.

sexta-feira, junho 01, 2007

Desafio

A Titá lançou-me um daqueles desafios blogosféricos. E este é complicado… obriga-me, mesmo que eu tente evitar, a ser um pouco sério… mas tentemos então:

Eu quero... uma data de coisas mas neste momento só me ocorre a música dos U2 “All I want is you”.

Eu tenho, embora por vezes me esqueça disso, uma sorte do caraças!

Eu acho... que o Talk Talk é mesmo o músico com maior peso na estrutura dos I-Glamour. O Charm e o Seducer são dois trinca-espinhas e o Stylish tem menos 5/6 quilos que eu.

Eu odeio... nada. Irrito-me com uma série de coisas, algumas banais, mas odiar não odeio nada.

Eu sinto... uma certa comichão na nuca, numa zona mais descaída para o lado direito sempre que oiço música Disco!

Eu escuto... com muita atenção o palrar do pardal do Mogodochi. Tem sempre coisas importantes para me dizer quando poisa no meu ombro. Só acho estranho mais ninguém o ver!

Eu cheiro...mal… o olfacto é o meu pior sentido.

Eu imploro...por nada.

Eu arrependo-me...de algumas coisas, mas já está já está!
Eu amo... algumas pessoas especiais, cada uma à sua maneira!

Eu sinto dor... quando por vezes me sento e tenho vestidos uns shorts menos aconchegantes.

Eu sinto falta... do tempo em que muito daquilo que são os I-Glamour eram relatos do presente e não do passado. Sinto falta dessa magia que vejo esfumar-se à minha volta. No fim ficarei sozinho em “palco”?

Eu importo-me... com todos aqueles que gosto.

Eu sempre... fui romântico embora nem sempre o soubesse mostrar.

Eu fico feliz... no meio dum grupo de pessoas que gosto, dizendo uns disparates, comendo e bebendo e sentindo que os outros também estão bem.

Eu danço... se me apontarem uma arma à cabeça e jurarem que está carregada!

Eu canto... oldies… aliás eu só canto oldies, Sinatra, Iglésias, Benet, Avô Cantigas … é uma questão de estilo.

Eu choro... quase sempre para dentro.

Eu falho… muitas direitas cruzadas… depois a raquete é que paga!
Eu escrevo… sempre inspirado no que sinto… mesmo coisas que parecem disparates.

Eu nunca digo… “Estou triste”

Eu confundo-me… com alguma facilidade quando tenho que ir a um sítio uma segunda vez… perco-me sempre.

Eu estou… completamente carcomido do miolo.

Eu sou… giro, espadaúdo, inteligente, sociável, romântico, diplomata, divertido, sensível, atencioso e… extremamente humilde, enfim… se isto fosse um perfil do Hi5 elas choviam que nem moscas!
Pronto agora a sério… exagerei um bocado… sou apenas moderadamente humilde.

Eu preciso… constantemente de desafiar a seriedade da vida.

Eu deveria… levar a vida ainda menos a sério.

terça-feira, maio 15, 2007

Amor, Paixão e Bolos

Little Talk – Primão?
Talk Talk – Sim, diz…
Little Talk – As miúdas gostam mais de nós se formos divertidos ou se formos giros?
Talk Talk – De preferência se formos as duas coisas, mas geralmente se engraçarem contigo, mesmo que só digas asneiras, elas acham-te piada.
Little Talk – Ah… e depois… quando já namoramos há muito tempo… elas deixam de se rir das nossas graçolas… tornam-se sinceras não é?
Talk Talk - Pois… (o puto faz-se) é mesmo isso.
Little Talk – Mas continuam a achar-nos giros?
Talk Talk – Ah… sim, uma coisa não impede a outra!
Little Talk – Outra coisa: Qual é a diferença entre o amor e a paixão?
Talk Talk – (Ui!) Então rapaz, por exemplo: estás a ver esse bolo que estás a comer?
Little Talk – Sim.
Talk Talk – Estás com uma grande vontade de comer o bolo, pensas no bolo o dia todo, tens que comer o bolo. Comes o bolo…
Little Talk – E depois?
Talk Talk – Então… toda essa vontade é como se fosse a paixão. O amor é se, depois de comeres o bolo, voltares cá amanhã para comer outro igual e depois de amanhã a mesma coisa… é como se a vontade de comeres o bolo nunca passasse… mesmo que já não tenhas aquela anseia do início.
Little Talk – Fogo!
Talk Talk – Percebeste?
Little Talk – Acho que sim primão! Olha lá, estou cheio de paixão em relação àquela Bola de Berlim ali… juro que não é amor é mesmo só desta vez! Posso?

quarta-feira, maio 09, 2007

Para trás mija a burra e outras coisas!

Todos nós temos por vezes que fazer determinadas coisas para as quais não temos jeito nenhum. Seja porque razão for. Eu tenho várias coisas para as quais não nasci. Mas de todas aquela para a qual menos vocação tenho é mesmo para despedidas. Só conheço dois tipos de pessoas às quais, em determinada fase da vida, tenho que dizer adeus: os que me são indiferentes e os que não são. Para os primeiros a despedida é simplesmente uma fraude, uma encenação, e por algum motivo eu estou aqui a escrever isto e não na TVI a fazer novelas. Não consigo fingir e demonstro na despedida, sem querer, a indiferença que sinto.
Quanto ao segundo tipo de pessoas, melhor do que falar nisso será contar a história da minha despedida de Licínio Chispes.
Quando cheguei ao cais já o Licínio se preparava para zarpar no batelão. Fui na esperança de o apanhar antes dele se fazer à maré-alta e rumar (definitivamente) para Cacilhas. Ao que parece vai se fixar lá como faroleiro, guiando as tainhas para o canal do Seixal. Ele viu-me e já não desamarrou o cabo. Saltou da proa para o murete do cais e veio falar comigo.
- Então Talk, vieste dizer adeus ao velho Licínio?
- Não… vim dizer-te olá!
- Olá?! Então mas eu vou-me embora pá, não vais voltar a pôr-me as vistas em cima…
- Não digas isso Licínio, Cacilhas não é assim tão longe… a gente vê-se…
- Vê-se vê-se, fia-te na correria e não vás ter com a virgem não!
- Licínio… é ao contrário… fia-te na virgem e não corras!
- Tá bem… então é isso. Olha, adeus puto e não te esqueças: para trás mija a burra!
- Ok… não me esqueço. Até logo Licínio!
- Até logo Talk!

sexta-feira, abril 20, 2007

Universidade do Charme: Comunicado do seu Reitor: Zé Caxias

Ultimamente tem sido posto em causa o bom-nome da nossa Instituição. Há muitos a opinar, poucos a dizer a verdade. Ainda ontem, enquanto cortava a cabelo na barbearia do Treme-treme, o chico-esperto do Tó Talhadas jurava a pés juntos que o Talk Talk nunca tinha pisado os corredores da Universidade e que ainda assim possuía um certificado que o diplomava em Engenharia de Gestão do Charme! É destas inverdades que nascem os boatos e é com boatos que se estraga a reputação das pessoas.
Claro que o Talk nunca pisou os corredores da Universidade. Aquilo é soalho antigo e envernizado e um tipo com uns cascos daqueles não pode nunca pisar aquele pavimento!
As aulas, às quais ele nunca faltou, foram tomadas quase todas na Vivenda da Ti’ Chica, ou então na boate da Aurora, agora conhecida por Bar Sedução… e fui eu, com a ajuda das minhas assistentes brasileiras e ucranianas, que as leccionei!
Outro rumor que corre célere como o cavalo lusitano é o de que os exames são forjados de forma a facilitar a vida aos alunos! “São demasiadamente fáceis”, dizem eles!
Eu queria ver as bocas envenenadas que dizem isso a, após emborcarem 3 litros de vinho tinto, levarem uma matulona de 80 quilos por umas escadas a cima, enfiarem-na dentro dum quarto e só saírem de lá no outro dia de manhã! Ou então queria vê-los a tentar seduzir a Fofinha, a vaca charolesa do Tio Bento, especialmente depois dela ter passado a tarde com o Rinites, o Toiro Bravo do Zé da Adega!
Ganhem juízo e não sejam invejosos… o Charme não é para todos.

quarta-feira, abril 18, 2007

Acabou o café

Já devem ter reparado que eu tenho a mania que sou o número um e mais não sei o quê. Não é a gozar, quem me conhece sabe que sou vaidoso e que estou plenamente convencido das minhas qualidades. Pelo menos em três coisas: A fazer música com duas colheres, na rapidez com que devoro bolachas baunilha e no estilo criativo com que bebo café.
Não é que esta introdução tenha muito a ver com o que vou escrever a seguir, mas para além disto ter que começar de alguma maneira é quase sempre quando estou a beber café que me acontecem coisas esquisitas!
E lá estava eu, na pastelaria, a ler um livro do Pato Donald e a beber o cafezito (desta vez colocando a chávena no bicípite antes de a levar à boca) quando reparei na mesa do lado. Três raparigas com pouco mais do que 18 anos e um tipo das mesmas idades. Ele levantou-se e foi à casa de banho. Elas começaram a bombardear no rapaz. “É um totó”, “Não sei porque andas com ele”, “O que queres, o Vitó só sai comigo às 6ªfeiras…”, “Tás a precisar é de um pequeno-almoço destes aqui do lado!”.
Confesso que foi mesmo esta última frase que me chamou mais a atenção. O “aqui ao lado” era a minha mesa e para além da chávena de café e do livro de BD não havia mais nada em cima dela. Após uns risitos veio a abordagem:
- Desculpe, não tem vergonha de ler livros para crianças?
- Tenho, por isso é que venho para o pé delas lê-los.
- Pois… deves ser é estúpido!
- Poder de encaixe é uma necessidade para quem gosta de dizer graçolas!
- O quê?! Vai mas é à merda!
Entretanto chegou o “Totó” de ar admirado e perguntou à namorada:
- Este gajo estava a meter-se contigo?
- Deixa estar que a gente tratou do assunto
Mesmo assim virou-se para mim e disse:
- Olha lá, algum problema?
- Sim, dois. Um teu outro meu. O teu é que parece que o Vitó vai começar a sair também aos sábados e o meu é que adorava continuar aqui a ouvi-los dizer disparates mas tenho que ir… acabou-se-me o café!